A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 24/07/2021

Na música “pretty hurts”, a cantora internacional, Beyonce, aborda a busca incessante pela perfeição que muitos se sujeitam, bem como os problemas físicos e psicológicos que podem ser gerados. No entanto, mesmo podendo causar consequências, procedimentos cirúrgicos são feitos e são normalizados. Isso, porque durante muito tempo, a sociedade impôs padrões considerados perfeitos, os quais eram mostrados nas mídias digitais e televisivas, que junto à falta censo crítico da população, banalizaram esses procedimentos. Porém, é necessário que essa realidade seja revertida, a fim de uma sociedade saudável e influenciável.

Em primeira instância, é notório que os padrões de beleza presentes majoritariamente nos meios de comunicação contribuem para a maior procura de intervenções cirúrgicas e, consequentemente, a normalização dessas. Sob essa perspectiva, o filósofo Adorno afirma que a indústria cultural possui grande influência sobre a população. Então, como os principais meios de comunicação ultilizam de pessoas com corpos estruturais e abusam do uso de programas como Photoshop, é esperado que, por ter apenas essa referência, as pessoas enxerquem seus corpos como defeituosos ao ponto de se submeterem a cirurgias arriscadas para entrarem no padrão. Logo, não é razoável que o Brasil continue a perpetuar a padronização estética e a banalização das cirurgias plásticas.

Ademais, é perceptível que, para sofrer tal influencia midiática, a população carrega uma lacuna educacional relacionada à construção do senso crítico. Nessa perspectiva, o educador Paulo Freire declara que a educação sozinha não muda a sociedade, mas sem ela tampouco muda. Dessa maneira, é notória a importância de uma educação que incentive o pensamento crítico desde a infância, para que a sociedade possua jovens e adultos conscientes e minimamente influenciáveis. Assim, é fundamental que haja mudança no método de ensino, para que questões como essa possa ser abordadas.

Diante disso, o Estado deve incentivar os meios midiáticos à diversificar os rostos e corpos de seus programas e propagandas, com a criação de incentivos fiscais para as empresas que adotarem a ideia. Além disso, é dever das escolas auxiliarem na construção  do senso crítico dos alunos, por meio da inclusão da sociologia e filosofia na grade curricular obrigatória desde a infância, as quais são matérias que instigam o pensamento social e crítico. Tais medidas precisam ser tomadas a fim de que haja maior valorização da diversidade e que não haja mais a glamourização das cirurgias plásticas.