A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 24/07/2021
O escritor Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, visto que os procedimentos estéticos acontecem devido às inseguranças do corpo social, por conseguinte essas trivialidades médicas, objetificando a idealização estética . Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam: questões socioculturais e a falta de debate.
Primordialmente, convém ressaltar que o poder exercido pela indústria cultural-redes sociais- é um fator determinante para a persistência do problema. Acerca disso, é pertinente refletir sobre a óptica social de Durkheim, na qual aduz que o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do alheamento sobre das intervenções corporais fortemente influenciados pelo pensamento coletivo, dado que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social opressivo, a tendência é reproduzir esses comportamentos, uma vez que a sociedade influencia o devaneio do corpo perfeito, visando à obtenção de lucros. Dessa forma, entende-se a importância de ações que atenuem o quadro.
Ademais, é imperioso refletir sobre a escassez de discussão sobre o tema, ainda é um grande impasse para resolução deste imbróglio. Outrossim, é lícito atentar ao discurso do filósofo Habermas, que alega que a linguagem é uma verdadeira forma de ação, haja vista que a banalização das cirurgias plásticas encontram-se omitidas, deixando os cidadãos alienados sobre os riscos dos procedimentos estéticos, por consequência alguns imprevistos como erros cirúrgicos: rejeição do organismo é até mesmo morte. Dessa maneira, entende-se essa questão como um obstáculo que a resolução deve ser imediata.
Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse quadro. Portanto, o Ministério da Educação- órgão responsável pela educação dos indivíduos- em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos, por meio de direcionamento de verbas governamentais, promova debates sobre a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea,tais debates podem acontecer nas escolas no período extraclasse, de modo a informar a sociedade sobre os perigos que pode acarretar. Outrossim, as redes de canais abertos em horário nobre, devem produzir propagandas mostrando a beleza natural, a fim que as pessoas possam libertar-se de conceitos sobre o corpo ideal. Feito isso, cria-se-á um Brasil melhor.