A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 26/07/2021

Segundo a Sociedade internacional de Cirurgia Plástica Estética, cerca de 1,5 milhãos de brasileiros realizaram intervenções plásticas só no ano de 2018. Nesse contexto, no cenário atual do Brasil, observa-se a banalização das cirurgias plásticas no meio social. Desse modo, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude da padronização dos corpos e da má influência midiática.

Primeiramente, é notório ressaltar que o padrão de beleza estabelecido socialmente é um dos fatores contribuentes para a existência do problema. De acordo com o pensador Carlos Batistella, é preciso estar atento a normatização dos corpos, pois tal comportamento pode conceber uma sociedade homogênea e indiferenciada. Partindo desse pressuposto, é evidente a impossibilidade de se atingir uma homogenização estética, ou seja, alcançar o padrão idealizado de beleza, de forma natural em corpos de belezas variadas. Tudo isso retarda a resolução do empecilhos, já que para se inserir nos padrões do “belo” é preciso buscar, excessivamente, por procedimentos cirúrgicos, o que contribui para a perpetuação do quadro danoso.

Outrossim, a opressiva atuação das mídias no ambitos estético deriva da baixa atuação dos setores governamentais do meio sociocultural . Sob ótica do pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre. Devido a falta de atuação das autoridades, as redes midiáticas e seus usuários, divulgam as cirurgias plásticas, de alto risco, como algo trivial que vai garantir a beleza e a autoestima do paciente, tal atitude impulsiona os espectadores a ariscarem suas vidas e saúde pela busca do corpo ideal. Logo, faz-se necessário a reformulação da postura estatal de forma urgente.

Destarte, a fim de mitigar o problema, é preciso a mobilização de todo o corpo social. Nesse sentido cabe ao Ministério da Saúde juntamente a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica(SBCP) promover, através da verba destinadas a saúde pública, campanhas de informação quanto aos perigos e riscos de se submeterem a cirurgias plásticas, o que levará conhecimento a população e garantirá a integridade dos indivíduos e a ética dos profissionais. Da mesma forma, as mídias e os seus influenciadores devem compor ou exibir tais campanhas,  para garantir que suas plataformas não sejam instrumentos de opressão, os mesmos devem promover uma descontrução dos padrões de beleza, já que este atinge a todos. Dessa maneira, será possível desbanalizar as cirurgias plásticas e garantir a aceitação dos corpos de tamanhos e formatos variados.