A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 30/07/2021
A música “Mr. Potato Head” da artista Melanie Martinez retrata o cotidiano de uma jovem garota que constantemente se compara às representações televisivas de aparência e corpo perfeito. Ao longo do clipe, a protagonista opta por realizar diversas cirurgias plásticas em todo corpo, de forma a tornar-se mais parecida com as exibições dos grandes meios comunicativos para passar a ser considerada atraente. Não distante do meio musical, a realidade da protagonista do clipe se assemelha ao cotidiano de diversos indivíduos na sociedade brasileira que, constantemente, vêm sofrendo com a pressão midiática da idealização do corpo perfeito, expostos também à banalização das cirurgias plásticas por grandes influenciadores que estão constantemente divulgando profissionais que as realizam, sem se posicionar também sobre os riscos dos procedimentos. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas a má influência midiática e a falta de representatividade.
Dessa forma, em primeira análise, a irresponsabilidade da mídia é um desafio presente no problema. Conforme afirma Bourdieu, a mídia foi criada para a democracia e não para opressão. Entretanto, ela tem se mostrado opressora em relação à banalização das cirurgias plásticas, visto que, ao limitar-se à exposição constante de um padrão único de corpo nos meios de massa, esta passa a excluir e contribuir para a fomentação das inseguranças dos indivíduos que não se encaixam nessa representação, de forma a incentivá-los a crer que, ao desviarem da limitação, estão incisivamente errados. Assim, é necessária uma postura mais democraticamente responsável da mídia.
Em paralelo, a limitação da representação é um entrave no que tange ao problema. Para Clarice Lispector, “não basta existir, é preciso também pertencer”. Porém, a sensação de pertencimento não ocorre como deveria, já que os indivíduos ainda se sentem obrigados a enquadrar-se em um padrão culturalmente creditado e aceito por não se enxergarem nas mais diversas representações de massa, sendo vistos como “errados” e passando a tomar as cirurgias plásticas como um meio de “correção” dessas falhas apontadas. Nesse sentido, sem atuar sobre o aspecto que a autora levanta, é improvável resolver a questão. Portanto, é imperativo agir sobre o problema.
Para isso, a Netflix deve criar um documentário que retrate os riscos da banalização das cirurgias plásticas, contando com os relatos e alerta de grandes influenciadores do meio digital de forma a reverter a má influência midiática que impera. Tal ação pode, ainda, ser divulgada nas redes sociais para abranger um maior público que sofre com as influências da questão. Paralelamente, é preciso intervir sobre a falta de representatividade presente no problema. Logo, menos indivíduos sofrerão com o padrão estético como a protagonista do clipe de Melanie Martinez.