A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 27/07/2021

O período denominado “Belle Époque”, no Brasil, foi marcado pela imitação dos padrões franceses, inclusive do que era considerado “belo”. Nesse sentido, esses modelos idealizados de beleza estão presentes hodiernamente e são responsáveis por complexos corporais que induzem à mudança por meio de procedimentos estéticos. No entanto, esses processos podem ser maléficos, uma vez que geram impactos prejudiciais como distúrbios mentais e impasses na saúde física e, apesar disso, são banalizados e executados em larga escala.

Nesse contexto, conforme o documentário “O dilema das redes”, o ambiente virtual é motivador de grande parte das desordens emocionais e psíquicas, a partir da idealização da vida compartilhada nas redes e das “bolhas sociais”, isto é, um direcionamento dos algorítmos que encurrala o indivíduo em perfis semelhantes, como influenciadores estéticos nesse caso. Dessa forma, os usuários absorvem a impressão de que suas vidas devem se encaixar nesse molde preestabelecido, assim como seus corpos se adequarem no padrão de beleza existente e são persuadidos a mudarem suas aparências mediante cirurgias e operações estéticas. Isso posto, essa persuasão nos ambientes virtuais e na sociedade conduzem à disfunção mental, visto que doenças são desencadeadas por esse ideal inatingível, bem como pelo contato cibernético danoso.

Além disso, essa indiferença é alarmante, tendo em vista os casos de morte, paralisias e doenças físicas que são causadas pelos procedimentos estéticos irresponsáveis. A isso, pode-se relacionar a teoria da “Banalidade do mal”, de Hannah Arendt, que afirma que atos nocivos feitos repetidamente e com uma finalidade aparentemente positiva, são banalizados, ou seja, não recebem a devida importância, mas são percebidos superficialmente e não transparecem os malefícios que carregam consigo. Desse mesmo modo, ocorre com as cirurgias que por terem um fim inalcançável, são realizadas a qualquer custo, muitas vezes com profissionais despreparados e em ambientes insalubres, sequenciadas por mortes e sequelas. Esse retrato configura os perigos gerados pelos padrões de beleza, somados à manipulação difundida contemporaneamente.

Portanto, para que essa realidade mude, é necessário que o Ministério da Saúde desenvolva o projeto “Corpos e mentes saudáveis”, que consiste na elaboração de comerciais televisivos e anúncios midiáticos que contenham informação de alerta a respeito dos perigos dos procedimentos estéticos irresponsáveis e que desmitifiquem a beleza padronizada e a necessidade de se encaixar nela para estar sadio. Assim, o indivíduo terá saúde física e mental e realizará mudanças apenas de forma consciente, a fim de que a população tome decisões livres, informadas e responsáveis.