A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 26/07/2021

Fenômeno relevante na sociedade brasileira atual, o alto índice de cirurgias plásticas no páis preocupa a sociedade como um todo dada a banalização dessas. Nesse contexto, a cultura de massa potencializada pela pressão social midiática atua como problemática desse fenômeno. Dessa forma, políticas públicas com o objetivo de pôr fim a banalização têm caráter emergencial.

Nesse cenário, a cultura do consumo em massa é uma problemática que contribui para o agravamento do fenômeno. Isso ocorre de modo que, a cirurgia plástica é colocada pela indústria da estética como um produto e incentivada, frequentemente, a aquisição. Para isso, a indústria vende o corpo pós cirúrgico não só como corpo ideal mas como padrão de vida já que associam a imagem ao reconhecimento e ao sucesso nas relações afetivas e profissionais. Essa situação, faz referência a cultura do consumo em massa, denunciada pelo filósofo Adorno, na teoria da Indústria Cultural. Nela, o filósofo mostrou que essa cultura faz com que pessoas consumam e imitem padrões sem emitir qualquer opinião crítica sobre eles, com o objetivo, exclusivo, de ser bem visto e aceito socialmente, o que contribui para a recorrência de cirurgias plásticas sem necessidade.

Nesse quadro, a pressão social midiática infla a cultura do consumo e tem impactos negativos. Esse fato é visível, por exemplo, com o advento das redes sociais. Hoje, a rede social Instagram é colocada como uma vitrine na qual jovens e adolescentes usam para compartilhar, por meio de fotos e vídeos, o estilo de vida que desperta o desejo de consumo na massa. Nesse sentido, a cirurgia plástica é colocada inclusive como moeda de troca. Isso ocorre de forma que pessoas com alta influência das redes são convidadas a passar por cirurgias estéticas e, em troca, expõe o procedimento e seus benefícios nas mídias sociais, o que gera alta procura pelos procedimentos. Entretanto, grande parte não pontua quão invasiva são as cirurgias e quais os riscos e limitações decorrentes dessas, os quais chegam, em casos extremos, à morte, o que resulta em na contribuição para a banalização do procedimento, situação que exige atenção.

Portanto, políticas públicas com o objetivo de pôr fim a banalização das cirurgias plásticas são urgentes. Para isso, o Governo, órgão responsável por gerir o país, deve atuar por meio do Ministério da Saúde na criação de campanhas de conscientização veiculadas nas redes sociais, inclusive, por pessoas influentes. Tais campanhas devem ressaltar os benefícios e malefícios das cirurgias plásticas sem necessidade por meio de dados e depoimentos pessoais. Além de desmistificar a associação de corpo perfeito com sucesso pessoal e profissional. Tudo isso com o objetivo de reduzir a procura pelos procedimentos estéticos invasivos e acabar com a banalização desses.