A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 05/08/2021

“O homem é a medida de todas as coisas.” Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente a banalização das cirurgias plásticas, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, são inúmeros os desafios, principalmente para as mulheres, de se viver uma sociedade na qual a estética é carregada de pressões, com exemplo, às cirurgias plástica, sendo feitas sem à devida necessidade, podendo causar sérios danos à saúde.

Diante desse cenário, convém frisar a extrema importância de destacar a internet como local possuidor de muitas informações, no entanto, a utilização dela de maneira errônea está trazendo riscos a saúde dos usuários. Sob essa ótica, muitos médicos fazem o uso das mídias para divulgar seus trabalhos e com a ajuda dos influenciadores digitais,-alcançam muitas pessoas de diferentes idades e classes sociais-, a fazer procedimentos estéticos. Dessa forma, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, em sua teoria do Habitus, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e posteriormente reproduzidos pelos indivíduos. Essa máxima, se verifica hodiernamente, tendo em vista que está ocorrendo uma banalização das cirurgias plásticas, na qual houve um aumento do número de pessoas cada vez mais novas que estão se submetendo a esse procedimento, sendo implantados e reforçados nelas a cobiça pela perfeição.

Ademais, com o crescimento das redes sociais verificou-se uma forte pressão estética para que as pessoas se enquadrem em uma padrão irreal, e com a ajuda das ferramentas de edição cada vez mais avançadas, corpos ilusórios estão se tornando um modelo a ser seguido. Em virtude disso, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), em 2018, o Brasil ficou em primeiro lugar como o país que mais realiza essas operações, superando os Estados Unidos. Isso demonstra que a preocupação com a estética do povo brasileiro tem se tornado quase obsessiva, já que a mídia tem criado uma pressão estética em que todas não correspondem ao “corpo ideal”. Logo, futuros disturbios psicològicos para as mesmas podem ser acarretados.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas que mitiguem o desafio. Assim, cabe aos influenciadores, a tarefa de terem mais responsabilidade com os conteúdos postados, visto que eles serão exposto aos jovens, -que são altamente influenciáveis-, por meio do incentivo a campanhas de autoaceitação, com intuito de mostrar que cada um tem sua beleza natural, e reforcem a desconstrução dos padrões simétricos, irreais, a fim de transmudar a realidade da banalização das cirurgias plásticas.