A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 28/07/2021

No berço da civilização ocidental, a cidade grega Atenas, famosa por sua “democracia” e filósofos, já se entregava a uma estrutura social patriarcal e excludente. Dos primórdios culturais ao contexto hodierno brasileiro, percebe-se a histórica e perene imposição estética da sociedade sobre a mulher, atenuada de forma quase ditatorial pela mídia contemporânea.

Primeiramente, a padronização estética feminina caminha de acordo com a organização social e costumes de determinadas épocas. Entretanto, salvo poucas exceções ao longo da história, a predominância de comunidades patriarcais converge para a idealização do corpo da mulher, remetendo suas características à aprovação masculina. Como exemplo, menciona-se as mulheres de algumas tribos africanas, as quais usam argolas para esticar o pescoço, já que seu alongamento é belo aos olhos dos homens. Sob essa conjuntura, fica evidente que, apesar da luta sufrágica ao longo dos séculos, a mulher ainda está sujeita à ditafura estética estabelecida no seu contexto social.

Outrossim, vale ressaltar que os espartilhos - símbolos de repressão à natureza feminina - deram espaço para os procedimentos estéticos contemporâneos, os quais vão desde pequenos preenchimentos em consultório até cirurgias extremamente invasivas como lipospiração ou silicone. Nesse sentido, a ilusão de estética ideal proporcionada pelo alto fluxo de infomação de meios midiáticos como instagram e facebook, algema até as mais feministas. Como consequência, tem-se o crescimento exponencial de transtornos psiquiátricos, como anorexia, depressão e bulemia, pela falta de aceitação do próprio corpo.

Portanto, a fim de mitigar os efeitos da ditadura estética na sociedade, cabe ao Conselho Regional de Medicina definir protocolos mais rígidos - como a exigência de um laudo psicológico do paciente - para a tomada de decisão sobre a cirurgia plástica a ser feita. Por meio de avaliação clínica, o médico deverá justificar o procedimento ao conselho, evitando transtornos.