A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 05/08/2021
Durante a Idade Média, com o intuito de se adequar ao padrão de beleza da época, era comum às mulheres utilizar vestuários que deformavam severamente seu próprio corpo. Hodiernamente, o uso de procedimentos muito mais invasivos, como a cirurgia plástica, é considerado uma preocupação frívola, devido a uma série de fatores, dentre eles a constante imposição midiática do corpo perfeito e a alta lucratividade dessa área estética.
Em primeira análise, em sua obra “A República”, o filósofo Platão evidencia que, a fim de instituir uma crença em uma população, a ideologia deve ser constantemente repetida como verdade. Externo à teoria, essa é, infelizmente, a tática utilizada pela propaganda para estabelecer o padrão de aparência atual, uma vez que, em todos os meios de comunicação, a forma inteligível do ser humano é constantemente exposta. Nessa lógica, uma faixa considerável da sociedade entende que, se outra pessoa atingiu aquele padrão, é completamente cabível utilizar de qualquer método cirúrgico extremo para ser igual ou melhor que aquela idealização vista. Dessa forma, os meios utilizados serão completamente banalizados em função dos fins, o que cria, a longo prazo, uma cultura de sacrifício em prol do ideal a ser atingido.
Concomitante a isso, o alto ganho que esse ramo da medicina fornece é um problema para que exista oposição ao seu uso desenfreado. Nesse sentido, a Escola de Frankfurt, movimento filosófico do século XX, destaca que o mundo capitalista sempre tenderá a enfatizar e visibilizar o que for mais lucrativo. Essa ideia expressa, com perfeição, a realidade cultural supracitada, já que, como muito dinheiro é movimentado nesse mercado, há um constante investimento em propaganda a seu favor, o que influencia a sociedade a depender cada vez mais de seus serviços. Nesse sentido, esse ramo profissional se torna cada vez mais poderoso e influente, o que os permite, aplicar ainda mais recursos no manutenir de sua imagem, criando, assim, um ciclo.
Faz-se necessária, destarte, a reversão do quadro crítico ao qual a nação se encontra. Dessa maneira, cabe ao Poder Legislativo criar leis que obriguem empresas do ramo das cirurgias plásticas evidenciar de maneira clara, em suas clínicas, todos os riscos os quais os pacientes correrão ao se submeter ao procedimento. Essas normas devem, também, promover campanhas de autoaceitação divulgadas em todos os meios de comunicação, em que psicólogos evidenciem a importância de aceitar e gostar de sua própria aparência, ambas ações tomadas com o intuito de que exista uma maior consciência acerca do assunto e, enfim, cada ser humano esteja mais feliz com o que é.