A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 31/07/2021

Na obra “O mínimo para viver” apresenta os impactos psicológicos do padrão de beleza na vida e bem-estar dos jovens, destacando o desejo insaciável desses por transformações estéticas que os aproxime do ideal construído. De maneira análoga, em território pátrio, observa-se os impactos desse processo de padronização visual, tendo em vista a banalização das cirurgias plásticas na contemporaneidade. Isso posto, cabe a análise acerca da conjuntura social que possibilita o surgimento e perpetuação da problemática, além da observação relativa a influência das redes sociais nessa.

Em primeiro plano, em “Sociedade do Espetáculo”, Guy Debord ressalta a relevância da produção e reprodução de imagens na construção relações sociais, estabelecendo o “espetáculo” como dogmático e alienante. Sob a ótica debordiana, olhar do indivíduo sobre si e mediado por retratos difundidos por uma estrutura midiática que, comumente, mostra-se desumana, patriarcal e fictícianal — observado que esta produz e reproduz imagens que distanciam-se da realidade, alienando o indivíduo do seu próprio corpo. Diante disso, cria-se no imaginário coletivo um ideal estético inalcançável que gera uma cadeia de frustrações e induz o indivíduo a busca por mudanças corporais, fato que, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), torna o Brasil o país com maior número de cirurgias plásticas no mundo.

Paralelo a isso, o espetáculo de imagens debordiano ganhou força com a introdução na Era Digital, com o fenômeno da Internet e disseminação das Redes Sociais. Nessa perspectiva, posto que, de acordo com o jornal O Globo, os brasileiros são o segundo povo que mais investe tempo em redes com veiculação de fotos (como Instagram e Facebook), esses ambientes exercem extrema influência nas percepções individuais, principalmente entre os mais jovens. Como consequência da imersão nesse espaço, a percepção acerca da autoimagem é construída por um parâmetro comparativo pouco saudável e extremamente exigente, tornando comum casos como o relatado pela BBC, em que jovem de 26 anos que recorreu a intervenções cirúrgicas motivada pelo uso de filtros no Snapchat.

Portanto, é imprescindível o remodelamento estrutural para a desconstrução da banalização das cirurgias plásticas. Assim, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, em ação intersectorial com o Ministério da Educação, promover nas Universidades Públicas do país — voltando-se aos cursos de Ciências Políticas e Sociais e Psicologia — pesquisas quali-quantitativas voltadas ao estudo da estrutura social que cria um ambiente social, favorável ao surgimento dessa mazela contemporânea. A partir dessa ação, tornar-se-á possível a ordenação de políticas públicas, minicursos e campanhas educacionais que emergiram do debate especializado combatendo à problemática.