A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 30/07/2021

Conforme a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, o número de procedimento estéticos cresce anualmente. Nesse sentido, infere-se que a pressão social em relação aos padrões de beleza molda a sociedade, já que as cirurgias plásticas, na contemporaneidade, tornaram-se extremamente banais. Logo, é válido analisar a origem e os mecanismos de consolidação desse cenário.

De início, após a Primeira Guerra Mundial, na década de 1920, os Estados Unidos saíram vitoriosos do conflito e acumularam, consequentemente, um grande poder aquisitivo, o qual recebeu o título de “American Way of Life”. Nesse viés, criou-se uma espécie de “vitrine mundial”, em que os americanos, para estimular o consumo, realizaram uma série de propagandas para divulgar o seu novo estilo de vida: pessoas ricas e, supostamente, belas. No entanto, a famosa beleza do Primeiro Mundo era severamente excludente, haja vista que ela foi associada a características físicas pré-determinadas: cidadãos de pele branca e magros. Nessa linha de raciocínio, essa ideologia se encontra na atualidade e se manifesta na banalização de operações estéticas, as quais são frequentemente realizadas com o intuito dos indivíduos se assemelharem ao padrão americano. Assim, enquanto o lema “American Way of Life” agir como regra, a diversidade estética - verdadeira beleza das nações - será oprimida.

Ademais, Guy Debord - filósofo francês - afirma que a realidade virtual, hodiernamente, sobrepõe-se a própria realidade concreta vivida pelos indivíduos, os quais passaram a se preocupar com um único dilema: a aparência frente ao olhar do próximo. Sob esse aspecto, percebe-se que essa Sociedade do Espetáculo, como chamada pelo pensador, está intrinsecamente relacionada com o contexto de pós-guerra supracitado, uma vez que as mídias comunicativas concretizaram, com o passar dos anos, a padronização estética dos norte-americanos, a qual se cristalizou na forma de cirurgias plásticas. Ou seja, os jornais e as redes socias divulgam, de forma constante, uma forma de beleza única, a qual induz os cidadãos a se parecerem com ela a qualquer custo. Por corolário, é inadmissível que as mídias insistam em disseminar uma “fórmula de beleza”, posto que marginaliza as pessoas que se destoarem desse modelo.

Portanto, para que a diversidade dos povos seja preservada, as Mídias Sociais devem romper com a mentalidade do “American Way of Life”, por meio do desenvolvimento de campanhas sociais, como a criação de propagandas, que incentivem a valorização da diversidade cultural. Essa iniciativa poderia se chamar “Minhas diferenças são minha beleza” e teria a finalidade de amenizar a banalização das cirurgias plásticas na contemporaneidade. Feito isso, a padronização estética deixará de ser, em breve, uma realidade no século XXI.