A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 07/08/2021
Na obra “21 lições para o século XXI”, o escritor Yuval Noah Harari disserta acerca de temas sociais que contemplam a pós-modernidade, por exemplo, a famigerada preocupação com a aprovação social. De maneira semelhante ao problema exposto no livro, a banalização das cirurgias plásticas reflete a busca pela aceitação, em que muitos indivíduos estão dispostos a enfrentarem barreiras morais/financeiras para alcançarem o padrão almejado. Esse cenário antagônico é fruto tanto do ideal de perfeição cultivado nas redes, quanto da má influência exercida pela indústria mídiatica por meio dos anúncios.
Convém ressaltar, diante dessa realidade, a contribuição das redes sociais para que a procura pelas cirúrgias plásticas tenham aumentado substancialmente, principalmente entre as mulheres. De acordo com o sociólogo Guy Debord, a sociedade contemporânea atravessa uma fase de espetacularização da realidade, isto é, o corpo social preocupa-se demasiadamente com a aparência e a forma como o restante dos indivíduos os enxergam, o que leva a tomada de decisões individuais visando a aceitação social. Nesse sentido, a exagerada perocupação com a aparência é intensificada com a presença das redes sociais, visto que os usuários demonstram “feeds” e fotos idealizadas, como consequência, a busca pela semelhança entre os usuários detentores de sucesso faz com que muitas mulheres busquem transformar-se, não somente por vontade própria, mas também pela pressão estética motivada pelas redes. Dessa forma, é preciso maior conscientização no conteúdo virtual consumido.
Além disso, a banalização das cirúrgias plásticas é reflexo da indústria publicitária, que demonstra, em geral, propagandas de modelo com corpos e rostos idealizados. Segundo a teoria dos “Fatos Sociais”, do sociólogo Durkheim, as relações sociais são coordenadas pela coercitividade, ou seja, o posicionamento individual é reflexo do conjunto de costumes e ideias compartilhados em sociedade. Na esteira dessa ideia, a divulgação recorrente de anúncios públicitários padronizados influencia costumes compartilhados, como a criação de estereótipos femininos e,consequentemente, a busca individual pelos padrões hegemônicos da sociedade, sendo buscados por intermédio das cirurgias.
Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas visando alertar a sociedade acerca dos riscos advindos da excessiva busca por procedimentos estéticos. “A priori”, compete a mídia-cuja função é democratizar informações de caráter relevante-, tornar público o conhecimento sobre os problemas gerados pelas cirurguas, por meio da divulgação de propagandas educativas que abordem sobre a criação de falsos desejos impostos socialmente, em que serão compartilhados relatos de pacientes que realizaram os procedimentos e não obtiveram sucesso, com o intuito de conscientizar e propor mudanças no pensamento de futuras mulheres interessadas na realização de cirurgias.