A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 31/10/2021

No ramo da Medicina, a intervenção cirúrgica no combate de algum mal funcionamento do organismo, geralmente, é utilizada em último caso devido à seriedade e à periculosidade desse tipo de procedimento. Entretanto, de forma contrária a essa lógica, na sociedade contemporânea faz-se presente uma mentalidade de banalização, especificamente, das cirurgias plásticas decorrente de uma cultura voltada para a padronização estética e de uma sociedade pouco questionadora. Nesse sentido, fatores de ordem cultural e educacional caracterizam a problemática.

É importante pontuar, de início, a ampla influência e pressão exercida pela cultura, a partir dos diversos meios de comunicação, sobre as pessoas ao ditar padrões estéticos, muitas vezes, apenas alcançáveis por meio de cirurgias. Nessa conjuntura, o pensamento dos sociólogos da chamada “Escola de Frankfurt” ratifica isso ao apontar uma massificação da cultura realizada pela mídia como forma de obter mais lucro, visto que a venda de um padrão de beleza leva as pessoas a consumirem produtos e procedimentos para alcançar esse modelo. Com isso, os chamados influenciadores digitais, pessoas que possuem um grande público que os acompanha nas redes socias, contribuem com a difusão e com a banalização de diversos procedimentos estéticos, muitos dos quais foram feitos por eles mesmos.

Outrossim, vale ressaltar o caráter extremamente alienado e pouco questionador da população como agravante para a normalização das cirurgias plásticas e que, em alguns casos, compromete a vida dos pacientes e gera efeitos graves. Infelizmente, a absorção de informações de forma passiva e sem pesquisa, postura adotada por muitas pessoas, leva a esse quadro contemporâneo de banalização de procedimentos que possuem risco e podem deixar sequelas nas pessoas. Prova disso é o caso da modelo canadense Linda Evangelista, a qual realizou um procedimento conhecido como criolipólise para reduzir gordura localizada e obteve resultado contrário ao esperado e pretende processar os responsáveis, alegando não ter sido informada  desse possível efeito.

É notória, portanto, a relevância de fatores de cunho cultural e educacional na temática supracitada. Nesse viés, cabe à escola, em consonância com a família, o papel de desenvolver o senso crítico nas pessoas a fim de promover maior engajamento e questionamento acerca dessa questão. Tal medida pode ser efetivada por meio de palestras, debates em sala de aula, trabalhos com pesquisa e diálogos esclarecedores. Ademais, cabe à mídia a função de promover campanhas nos principais meios de comunicação que alerte a sociedade acerca dos riscos e da seriedade das cirurgias. Poder-se-á, assim, combater o problema e evitar que casos como a da modela canadense se repitam.