A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 04/08/2021

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação da filósofa Simone de Beauvoir pode ser facilmente aplicada a banalização das cirurgias plásticas no cenário hodierno, tendo em vista que cada vez mais há o aumento de operações estéticas e a habituação da população brasileira a elas. Ademais, é notório que o crescimento da procura por esses procedimentos é motivada pela divulgação das cirurgias pelas “digital influencers” e tem como consequência o aumento de mortes em intervenções cirúrgicas. Portanto, é inexorável que haja a análise dessa conjuntura com o intuito de romper com essa problemática.

Em primeira análise, convém elencar que as redes sociais alicerçam na banalização das cirurgias plásticas e da vida, uma vez que elas auxiliam na disseminação de padrões de beleza e de procedimentos que as “digital influencers” realizam e divulgam. Conquanto, é crucial ressaltar que, mormente, as blogueiras são pagas para influenciar outras mulheres e enriquecerem a indústria estética. Logo, a frase do livro 1984, do escritor George Orwell, “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa” aplica-se a essa situação, porquanto os detentores das redes sociais moldam o comportamento e pensamento da população. Destarte, faz-se mister que os influenciadores digitais tenham consciência do impacto da propagação de um padrão irreal.

Além disso, é imperioso salientar que a banalização da cirurgia plástica aumenta o número de mortes em procedimentos cirúrgicos, posto que são intervenções de alto risco, podendo levar ao óbito. Sob essa óptica, um estudo da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica alegou que a cada 100 mil procedimentos de lipoaspiração, há 19 mortes. Todavia, de acordo com o pesquisador da Universidade Federal de São Paulo, Di Santes, em 93% dos relatórios de falecimento de indivíduos que realizaram cirurgias plásticas há erros no preenchimento. Desse modo, pode-se inferir que os médicos optam por colocar a morte do paciente como outra razão, para que assim não fique evidente que o óbito foi motivado por uma cirurgia plástica. Sendo assim, o número de falecimentos é muito mais elevado que o registrado e por isso é necessário que haja a alteração desse preocupante quadro.

Urge, portanto, medidas que possam diminuir a banalização das cirurgias plásticas no Brasil. Para tanto, é incumbência dos influenciadores digitais não romantizarem os processos estéticos nas redes sociais, a fim de que os internautas tenham conhecimento dos riscos que esses procedimentos podem trazer. Outrossim, é imprescindível que o Ministério da Saúde atualize o número de mortes em cirurgias plásticas, por meio de fiscalizações e punições para aqueles que omitirem ao preencher o relatório de óbito dos pacientes, para que assim o número verdadeiro seja exposto.