A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 03/08/2021

A pesquisa de cunho médico iniciada por Hipócrates na Idade Antiga tinha como objetivo curar as pessoas, de maneira que ele se propunha a sempre intervir para o bem-estar do paciente. Entretanto, atualmente, a realidade difere do método elaborado pelo médico e, cada vez mais, há uma banalização de cirurgias plásticas, as quais vêm se popularizando. Desse modo, esses procedimentos estéticos colocam em risco pessoas saudáveis e, além disso, contribuem para um crescente repúdio ao corpo natural.

Em primeira análise, deve-se salientar que muitos dos pacientes são saudáveis e decidem colocar-se em risco para mudar a aparência. Isso ocorre, pois a pressão social pelo corpo perfeito induz as pessoas a esse tipo de situação extrema. Por consequência, alguns pacientes podem vir a óbito no decorrer do procedimento médico enquanto outros têm sequelas de possíveis erros cirúrgicos ou da recuperação. Segundo dados de 2018 da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), quase 20% das cirurgias feitas são para aumento de mama, situação que reflete a atuação do padrão estético na escolha desses procedimentos.

Ademais, a popularização das cirurgias estéticas colabora para que, cada vez mais, as pessoas não se sintam confortáveis com seus corpos. Um exemplo é a graduanda de Medicina e influenciadora digital Denise Suptitz que, mesmo sendo magra, estando dentro do padrão de “corpo ideal” e sabendo de todos os riscos médicos, se expôs à uma cirgurgia de aumento de mama. A situação ocorreu porque a garota não sentia-se à vontade com seu corpo natural, uma consequência direta da popularização das cirurgias estéticas.

Torna-se evidente, portanto, que a banalização dessas cirurgias é extremamente danosa. Desse modo, o Ministério da Saúde deve enrijecer as normas que permitem cirurgias estéticas, por meio do Código de Ética Médica, estabelecendo que é preciso um motivo médico para a realização da cirurgia, com o objetivo de evitar procedimentos desnecessários.