A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 13/08/2021
No mundo, desde o Período Helenístico da Grécia Antiga, a questão dos ideais de beleza faz parte da história humana, sendo antes visualizados em estátuas, e atualmente em redes sociais. Contudo, com o advento de novas tecnologias, tornou-se possível realizar procedimentos estéticos que permitem modificações corporais e viabilizam a adequação dos indivíduos ao padrão de beleza estabelecido, como é o caso da cirurgia plástica. Todavia, tal operação vem sendo banalizada e naturalizada pela sociedade contemporânea. Desse modo, cabe analisar os fatores que favorecem esse quadro.
Em primeiro plano, é fulcral pontuar a distorção da autoimagem como agravador do problema em comento, sendo essa uma consequência da comparação com corpos irreais e envolvidos em edições fotográficas divulgados em meios de comunicação em massa. Aliado a isso, a recorrente exposição feita em redes sociais por influenciadores digitais a respeito de relatos de cirurgias plásticas contribui para a banalização de operações cirúrgicas, de forma a omitir seus malefícios, e instigar nos internautas a falsa necessidade de procedimentos estéticos. Assim, estabelece a sensação de que será possível atingir a felicidade e plenitude somente por meio de operações irreversíveis.
Por outra análise, é imperativo ressaltar a indústria da beleza como promotora da questão em tela, uma vez que descobriu na tendência das cirurgias plásticas um mercado extremamente rentável, logo, a fim de gerar mais lucro às custas de procedimentos cirúrgicos, visa evidenciar e exaltar constantemente novos padrões de beleza a serem seguidos, como Naomi Wolf relata em seu livro “O mito da beleza”. Nesse sentido, o desejo por se adequar em moldes sociais por meio de cirurgias se sobressai em relação ao pensamento crítico individual para avaliar a real necessidade dos procedimentos.
Isso posto, entende-se a necessidade de uma intervenção mediadora. Para isso, é de suma importância a atuação do MEC, em parceria com órgãos municipais competentes, a fim de promover fóruns de debates em espaços abertos à comunidade, abordando a banalização das cirurgias plásticas, destacando a irreversibilidade das mesmas e evidenciando a pluralidade de corpos humanos reais. Tais eventos devem contar com a participação de psicólogos, cientistas sociais e sociólogos, com o intuito de que a população se engaje em discussões e pautas sobre a questão em tela na sociedade contemporânea e se tornem cidadãos atuantes em busca por resoluções individuais e coletivas. Assim, será possível atenuar, em médio a longo prazo, o impacto nocivo do problema.