A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 09/09/2021

Propagando insatisfações

No filme “O mínimo para viver”, publicado em 2017, retrata-se a história de Ellen, que afetada pela “ditadura da beleza”, desenvolve anorexia severa na tentativa de se enquadrar -contando calorias até mesmo do soro que a mantém viva. Paralelamente, fora da ficção, o número de procedimentos estéticos cresce descontroladamente com a busca por pertencer a padrões impostos pela mídia. Contudo, esses parâmetros de beleza são incondizentes com a realidade humana e , com isso, homens e mulheres são acometidos por disfunções físicas e pisicológicas, assim como Ellen. Dessa forma, o padão estético imposto e a falta de diálogo normalizam intervenções de alto risco.

Em primeira análise, na antiguidade clássica, a beleza era representada pela proporção e simetria -evidencianda na obra de Leonardo da Vinci, “Homem Vitruviano”. Dessa forma, na contemporaneidade, a permanência desses padrões e sua constante divulgação em mídias e propagandas gerou o que se chama de “Indústria Cultural”. Esse conceito foi desenvolvido pelos filósofos Adorno e Horkheimer, sendo uma adaptação do belo à interesses capitalistas, tornando critérios como superiores. Dessa forma, o “perfeito” passa a ser desejado, influenciando a continua insatisfação corporal, que levará milhares de pessoas a cirurgias e procedimentos obsoletos -arriscando suas vidas por objetivos desumanos.

Ademais, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) -nos últimos 10 anos- houve um aumento de 141% no número de cirurgias estéticas. Desse modo, expõe-se outra realidade que agrava essa perigosa banalização, a falta de diálogo sobre esses paramêtros irreais, aumenta a insegurança de jovens e adultos -que passam a se considerar inferiores. Segundo Michel Foucault, não tem como resolver aquilo que a sociedade silência, sendo, portanto, necessário desmistificar essas “perfeições” e devolver a qualidade física e psicológica à sociedade.

Dado o exposto, é mister que o governo e a mídia visualizem e tomem providência sobre essa questão. Urge ao Ministério da Saúde, avaliar e proibir por meio de decretos-lei a divulgação e a publicidade de padrões estéticos desumanos, a fim de impedir a influência negativa perante a população. Além disso, cabe ao Ministério da Educação promover campanhas de conscientização, por meio da própria mídia, esclarecendo e diálogando sobre essa “ditadura da beleza”, evitando, assim, o crescimento do número de Ellens.