A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 03/08/2021

Beyoncé, expoente cantora, alega, na música “Pretty Hurts”, que as pessoas fazem de tudo para parecerem mais belas frente ao olhar do próximo. Com isso, é nítido que a canção supracitada transborda de sua letra, visto que o “parecer” é, na atualidade, mais importante que o “ser”, já que os procedimentos estéticos se tornaram triviais. Assim, é de suma importância analisar tanto o contexto quanto o comportamento dos rapazes e das moças que os levam a realizar tantas cirurgias plásticas.

De início, Guy Debord - filósofo francês - definiu, no século XX, o conceito de Sociedade do Espetáculo: a realidade virtual, na contemporaneidade, se sobrepõe à própria realidade concreta vivida pela população, a qual, influenciada pelas mídias, tenta a qualquer custo se encaixar nos padrões de beleza pré-estabelecidos. Nessa linha de raciocínio, percebe-se que o fenômeno denunciado por Guy Debord está presente no século XXI, na medida em que a cirurgia plástica passou a ser um procedimento estético banal e, em nome do suposto belo, tem o objetivo de homogeneizar as características físicas dos cidadãos. Por corolário, não razoável que as redes comunicativas insistam em padronizar uma “fórmula da perfeição”, haja vista que oprime a diversidade e, consequentemente, induz as pessoas a passarem por procedimentos cirúrgicos sem necessidade clínica.

Ademais, o mundo contemporâneo é regido pela Revolução 4.0, a qual engloba um amplo sistema de tecnologia que potencializou a produtividade das indústrias. Porém, esse marco histórico não afeta apenas a velocidade das empresas, mas sim os próprios homens e mulheres, que, com o tempo, tornaram-se extremamente imediatistas. Tendo isso em vista, por exemplo, muitos indivíduos almejam emagrecer, todavia não querem fazer atividade física. Além disso, há também aqueles que desejam parecer mais jovens, entretanto não querem passar protetor solar regularmente. Nesse viés, de forma irônica, é muito mais fácil e, principalmente, mais rápido realizar uma cirurgia plástica de algumas horas ao invés de se adquirir um estilo de vida saudável ao longo de anos. Logo, enquanto o imediatismo hodierno se mantiver como regra, as operações estéticas se tornarão cada vez mais banalizadas.

Portanto, para que a realidade de “Pretty Hurts” deixe de caracterizar a atualidade, as Mídias Comunicativas, devem romper com a mentalidade da padronização do corpo, por meio do desenvolvimento de campanhas sociais, como a criação de propagandas, que incentivem a valorização da diversidade cultural. Essa iniciativa, em parceria com a criação de oficinas que induzam as pessoas a diminuírem a velocidade com que levam a vida, teria a finalidade de amenizar a banalização das cirurgias plásticas. Feito isso, as comunidades, com o passar dos anos, passarão a se importar mais com o “ser” do que com o “parecer”.