A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 04/08/2021
Beyoncé - expoente cantora - alega, na música “Pretty Hurts”, que as pessoas fazem de tudo para parecerem mais belas frente ao olhar do próximo. Com isso, é nítido que a canção supracitada transborda de sua letra, visto que o “parecer” é, na atualidade, mais importante que o “ser”, já que os procedimentos estéticos se tornaram triviais. Assim, é de suma importância analisar tanto o contexto quanto o comportamento dos rapazes e das moças que os levam a realizar tantas cirurgias plásticas.
De início, Guy Debord - filósofo francês - definiu, no século XX, o conceito de Sociedade do Espetáculo: a realidade virtual, na contemporaneidade, se sobrepõe à própria realidade concreta vivida pela população, a qual, influenciada pelas mídias, tenta a qualquer custo se encaixar nos padrões de beleza pré-estabelecidos. Nessa linha de raciocínio, percebe-se que o fenômeno denunciado por Guy Debord está presente no século XXI, na medida em que a cirurgia plástica passou a ser um procedimento estético banal e, em nome do suposto belo, tem o objetivo de homogeneizar as características físicas dos cidadãos. Por corolário, não é razoável que as redes comunicativas insistam em padronizar um “molde da perfeição”, haja vista que oprime a diversidade e, consequentemente, induz as pessoas a passarem por procedimentos cirúrgicos sem necessidade clínica.
Ademais, o mundo contemporâneo é regido pela Revolução 4.0, a qual engloba um amplo sistema de tecnologia que potencializou a produtividade das indústrias. Porém, esse marco histórico não afeta apenas a velocidade das empresas, mas sim o próprio cotidiano de homens e de mulheres, que, com o tempo, tornaram-se extremamente imediatistas. Tendo isso em vista, muitos indivíduos almejam transformações físicas em um curto período de tempo, o que torna, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o procedimento cirúrgico uma opção recorrente. Ou seja, uma pessoa com excesso de gordura, em geral, prefere se submeter a uma cirurgia rápida ao invés de enfrentar o longo caminho do exercício físico. Logo, enquanto o imediatismo hodierno se mantiver como regra, as operações estéticas se tornarão cada vez mais banalizadas.
Portanto, para que a realidade de “Pretty Hurts” deixe de caracterizar a atualidade, as mídias comunicativas devem romper com a mentalidade da padronização do corpo, por meio do desenvolvimento de campanhas sociais, como a criação de propagandas, que incentivem a valorização da diversidade cultural. Essa iniciativa, em parceria com oficinas que induzam as pessoas a diminuírem a velocidade com que levam a vida, teria a finalidade de amenizar a banalização das cirurgias plásticas. Feito isso, as comunidades, com o passar dos anos, passarão a se importar mais com o “ser” do que com o “parecer”.