A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 04/08/2021

Na música da compositora Melanie Martinez, em sua composição denominada “ Mrs potato head”, é retratado a ideia de que para as mulheres conseguirem se sentir felizes com seu próprio corpo é necessário a realização de cirurgias plásticas. No videoclipe da canção uma personagem é submetida a uma série de procedimentos cirúrgicos devido pressão psicológica do namorado que não a considerava atraente. Fora da ficção musical, é perceptível a ocorrência da banalização das cirurgias plásticas na sociedade brasileira, tal problemática é resultante da propagação midiática no que concerne a existência de um corpo ideal e pela ausência de uma comissão de orientação pré-cirúrgica.

Primeiramente, é cabível pontuar a existência de uma ditadura do corpo perfeito, em que determinado padrão corporal é amplamente divulgado nas indústrias de estética e comerciais televisivos como sendo o mais agradável, por exemplo, a ideia disseminada que modelos, referências de beleza, devem ser magras. Posto isso, é perceptível que a sociedade perante aos padrões corporais idealizados pela mídia, acabam por se sentirem coagidos e, assim, realizando cirurgias plásticas em excesso.

Outrossim, os efeitos pós cirúrgicos são desagradáveis e, em alguns casos, irreversíveis. Logo, é indispensável o investimento em uma comissão de orientação, que possa sinalizar para o indivíduo as consequências de uma cirurgia plástica e avaliar o psicológico do paciente, evitando que ele realize procedimentos desgastantes sem o conhecimento necessário ou devido a uma pressão social. Ademais, essa perspectiva de prevenção dialoga com o pensamento da filosófa Djamila Ribeiro: ela diz que, todo problema só pode ser solucionado quando ele sai do campo da invisibilidade, ou seja, quando a sociedade passa a ter o conhecimento presico acerca do cenário problemático. Sendo assim, é fundamental que para a resolução da banalização plástica as autoridades governamentais devem atentar-se para a correção deste imbróglio.

Portanto, fazem-se necessárias mudanças. A princípio, é importante que o Governo Federal divulgue uma campanha contra o pensamento da singularidade fenotípica, através dos meios de comunicação, como rádio, internet e televisores. Com o intuito de que assim os indivíduos não realizem procedimentos cirúrgicos por obrigação para se encaixar em um padrão. Em seguida, é relevante que o Ministério da Saúde crie uma comissão de orientação pré-cirúrgica, que deverá ser compostas por psicólogos e enfermeiros, com o objetivo de orientar o paciente em como será os cuidados e limitações depois de uma intervenção plástica. Buscando, dessa forma, que cirurgias plásticas não sejam banalizadas e para que casos como o da canção da artista Melanie sejam apenas ficção musical.