A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 04/08/2021

Sob a perspectiva do filosófo Michel Foucault, “O homem é uma invenção recente”. Nesse viés, tem-se a indução de condutas sociais e comportamentais no indivíduo e a inserção desse em um ideal de “normalidade”. Tal conjuntura, corrobora a banalização das cirurgias plásticas, com o fito de atender aos padrões estéticos.

Ademais, tem-se o Mito de Narciso, com origem na mitologia grega, o qual retrata a obsessão estética, visto que se apresenta um protagonista obcecado por sua própria aparência, que culmina em sua morte por afogamento ao admirar o próprio reflexo em um lago. De forma análoga, com o advento das redes sociais, é recorrente à propagação de padrões de beleza ideais, muitas vezes, difundidos por digitais “influencers” e artistas como pressupostos para a felicidade e realização pessoal. Dessa forma, a banalização e o incentivo às cirurgias plásticas culmina no aumento da pressão estética, que corrobora riscos à saúde, visto que submete o indivíduo a procedimentos, muitas vezes, arriscados e invasivos.

Outrossim, de acordo com o filósofo Arthur Schopenhauer, os indivíduos são movidos pela recorrência de desejos e anseios como pressupostos para a felicidade, que culmina, mais tarde, em angústia e frustração. Por conseguinte, no âmbito virtual, é notória a padronização estética, na qual esses são reduzidos aos atributos físicos, como corpos definidos e rostos harmonizados, sob a falsa sensação de pertencimento. Nesse viés, há a indução de condutas sociais e comportamentais, a qual contribui na vulgarização dos procedimentos cirúrgicos e em uma necessidade crescente de aceitação social.

Logo, é notória a banalização das cirúrgias plásticas nas redes sociais. Nesse viés, faz-se necessária a atuação do Ministério da Saúde na orientação profissional sobre a necessidade e viabilidade desses procedimentos. Tal ação se dá por meio da oferta de consultas psicológicas no Sistema Único de Saúde e de palestras, ministradas por psicólogos e psiquiatras, que visem à conscientização social. Dessa forma, é possível garantir uma maior seguridade salutar às pessoas submetidas à pressão estética no âmbito virtual.