A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 04/08/2021
A era das “irmãs Kardashian’s”, atinge centenas de milhares de adolescentes na busca pela perfeição. Nesse sentido, a pressão estética, potencializada pelas mídias sociais, elevou o Brasil, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), a país que mais realiza esses procedimentos no mundo. Tal dinâmica torpe, evidencia a banalização dos corpos e cria uma falsa sensação de que problemas internos (autoestima baixa, depressão), podem ser resolvidos com cortes no externo.
A princípio, cabe salientar que os padrões estéticos mudam rapidamente, principalmente no que tange a liquidez, que segundo Zygmunt Baumman, vivemos na modernidade. Sendo assim, as trocas constantes do sentido de beleza, a internet, por meio dos influenciadores digitais, tem reduzido as cirurgias plásticas a “correções”, como foi o caso da blogueira Sthefani Mota que realizou rinoplastia e depois gravou um vídeo informando o quanto tal procedimento trouxe consequências negativas para ela. Desse maneira, a ausência de responsabilidade das pessoas com a sua influência cria uma noção de que tudo pode ser resolvido se for descartado.
Ademais, a sociedade hodierna, com a sua crescente busca pelo corpo ideal, tem criado não apenas a padronização do belo, mas como também tem potencializado a extinção do que torna cada ser humano único. Sob esse viés, os maxilares, narizes, bocas, barrigas, têm se tornado padronizado, como um de seus objetivos, corrigir inseguranças internas, as quais, ao invés de serem tratadas com terapia - caso da Sthefani, que admitiu ter sofrido pressão do racismo velado para afinar seu nariz -, são banalizadas e postadas no Instagram com o antes e depois.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar essa dinâmica torpe. Posto isso, urge que as mídias sociais, como Instagram, Facebook e Twitter, promovam campanhas de conscientização com dados científicos dos riscos e das problemáticas envolvidas na realização de tais procedimentos e, que por meio de influencidadores digitais, preocupados com a responsabilidade frente a seu público, tais redes possam ajudar os adolescentes a terem a busca pela terapia como melhor alternativa para lidar com as suas inseguranças, com o fito de que a era não seja de “Kardashian’s”, mas sim de jovens singulares.