A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 10/08/2021

O filósofo polonês Bauman define como modernidade líquida aquela em que as relações interpessoais e entre pessoas e instituições são frágeis. Tal cenário contribui para a formação de uma sociedade que consome a fim de suprimir questões emocionais. De maneira semelhante, as cirúrgias plásticas tornaram-se objeto de desejo de muitos jovens e adultos com uma autoimagem fragilizada, tornando os procedimentos estéticos comuns. Essa banalização ocorre devido ao padrão imposto nas redes sociais e à escassez de autoconfiança acompanhada do medo do julgamento.

Em primeira instância, vale destacar que os padrões estéticos impostos por marcas e, indiretamente, reforçados por figuras públicas, que expoem suas buscas por corpos e rostos idealizados nas redes, estimulam a realização de cirúrgias plásticas e como consequência sua trivialização. Nesse viés, o sociólogo Durkheim descreve o fato social coercitivo como aquele em que as pessoas são coagidas, por meio da força, a seguir um determinado modelo. Assim, uma situação similar é observada com a banalização dos procedimentos estéticos, já que as pessoas são levadas a realizar cirúrgias pela força da publicidade.

Ademais, a ausência de autoconfiança unida ao medo do julgamento ao se expor também contribui para tornar as cirúrgias plásticas frequentes. Nessa lógica, a doutrina filosófica Epicurismo prega a ideia de que não é necessário temer algo que não se pode controlar, deve-se concentrar a atenção na busca pelo prazer e felicidade. Em consonância com esse pensamento, a banalização dos procedimentos estéticos evidencia que as pessoas estão buscando desapegar-se dos medos e atingir a felicidade proposta pela doutrina. Dessa forma, estes processos cirúrgicos tornam-se recorrentes com o objetivo de atingir a realização pessoal.

Portanto, a normalização das cirúrgias plásticas está relacionada aos paradigmas estéticos impostos e a falta de seguridade para com a própria aparência. Logo, faz-se necessário que o Governo, em parceira com as Mídias, elabore e divulgue campanhas que rompam com os padrões de beleza e valorizem os diferentes corpos e rostos, por meio de redes sociais, como Instagram, e canais televisivos, para que as pessoas tenham maior seguridade sobre sua fisionomia e levem um estilo de vida mais equilibrado. Só assim a sociedade poderá abandonar uma realidade paradigmática e vivenciar uma modernidade diversificada.