A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 11/08/2021

A aparência é uma parte importante do ser humano, devendo  ser cuidada e aperfeiçoada se possível. Entretanto, na sociedade contemporânea há um exagero nesse assunto, principalmente no quesito de procedimentos estéticos, que têm sido banalizados. Tal fato decorre da tentativa das pessoas se adequarem a um padrão de beleza. Consequentemente, grande parte se arrepende das cirurgias plásticas e é  prejudicada por elas.

Diante desse cenário, por conta do intenso uso das redes sociais, os internautas são expostos aos conteúdos de influenciadores digitais, os quais exibem seus corpos “perfeitos” e cirurgias plásticas feitas  para tentarem atingir o padrão estético imposto pela sociedade. Na intenção de imitá-los, seus seguidores procuram realizar os mesmos procedimentos plásticos. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, é necessário sair da menoridade, estágio no qual o indíviduo não faz uso da razão por conta própria, nem utiliza o senso crítico, a fim de possuir autonomia. Logo, compreende-se que grande parte da população influenciada pelas celebridades digitais estão na menoridade, sem pensar racionalmente,  deixando sua individualidade para tentar obter um padrão de beleza inalcançável. Com isso, a procura por cuidados estéticos torna-se frequente e tais tratamentos são banalizados.

Por conseguinte, ao realizar as cirurgias plásticas os pacientes, os quais  na maioria das vezes não levam em conta os riscos, pois o importante é corrigir as “falhas” e ter o corpo “ideal”, têm suas espectativas frustadas e podem ter a saúde afetada.  Segundo a música “Pretty Hurts”, da cantora Beyoncé: “Perfeição é uma doença da nação”. Dessa forma, entende-se que a banalização dos procedimentos plásticos  tende a  prejudicar as pessoas que os buscam, porque falham deixando erros incorrigíveis no corpo, causam danos na fisiologia do organismo e frustam os pacientes em busca da perfeição inexistente. Sendo assim, tais tratamentos estéticos contribuem principalmente para o adoecimento da nação, a impossibilitando de conviver harmonicamente  com a sua pluralidade de corpos imperfeitos.

Em síntese, a banalização das cirurgias plásticas decorre da tentativa de adequação a um padrão de corpo ideal imposto pela sociedade. Como consequência, tais procedimentos estéticos podem afetar a saúde dos pacientes e na maioria das vezes os frustam.  Logo, é imperativo que o governo financie as mídias de maior alcance para realizarem propagandas e filmes nos horários de maior audiência com celebridades influentes, cujos corpos fogem do padrão de beleza, no intuito delas proporcionarem a diversidade,  e mostrarem a normalidade das falhas, além da necessidade de aceitação. Destarte, a sociedade será mais plural, deixando a menoridade.