A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 05/08/2021

A partir dos desdobramentos da Primeira Revolução Industrial, os meios de comunicação evoluíram e ampliaram sua influência na sociedade, difundindo padrões estéticos e no estilo de vida social. Sob esse viés, a diversidade real de corpos é ofuscada por um modelo quase inalcançável, lucrativo para as indústrias e extremamente prejudicial —sobretudo às mulheres—. Nesse sentido, é evidente que urge uma mudança cultural na sociedade. Tal mudança deve ser fomentada pelo Poder Público, através da conscientização da população.

Antes de mais nada, é importante ressaltar que desde a idade antiga, em Roma e Grécia, a proporção é uma parte importante dos cânones da beleza. Entretanto, a partir do século XX, com o advento do cinema falado em 1928, a fisionomia passou a ter um destaque importante: as proporções hiperdimensionadas das telas de projeções e até os dias atuais padrões de beleza são exaltados por celebridades. Por conseguinte, a beleza eurocêntrica, padronizada e excludente passou a ser desejada e perseguida por meio de cosméticos e intervenções cirúrgicas de todos os tipos.

Por exemplo, o aumento de 141% no número de cirurgias realizadas por adolescentes nos últimos dez anos, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), indica a alta busca por um “modelo ideal”. Além disso, cerca de 2,5% das brasileiras, contra 2% dos brasileiros acham que têm defeitos. Nas mulheres, a dismorfia corporal, aparece mais entre 18 e 30 anos e a prevalência se mantém em alta até os 60, segundo o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.          Desse modo, é possível concluir que o impacto dos padrões estéticos na saúde mental e na alta busca por intervenções cirúrgicas é significativo. Portanto, é imperativo que o Poder Público, através do Ministério da Saúde, inicie campanhas educativas que devem ser divulgadas em todos os meios de comunicação. Tais campanhas devem informar o cidadão, através de dados, estatísticas e entrevistas com profissionais da saúde, sobre o impacto negativo dos padrões estéticos e a seriedade das intervenções cirúrgicas, com finalidade de fomentar a importante discussão sobre este tema na sociedade.