A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 06/08/2021
A série televisiva “Black Mirror” traz, em sua terceira temporada, um caloroso debate sobre a valorização do parecer em detrimento do ser. Nesse contexto, a supervalorização da aparência pode ser observada na realidade, dada a banalização de cirurgias plásticas estéticas. Logo, aspectos como, a má influência midiática e a vaidade desmedida estão associadas ao problema vigente.
A princípio, é importante considerar que há um agrande influência das mídias sociais em prol da cirurgia estética . Assim, Guy Debord ao cunhar o termo “cultura do espetáculo”, explica que as pessoas vivem uma constante atuação, que se manifesta nas redes sociais ao longo da vida. Tal constatação é nítida na autocobrança em ter sempre a melhor aparência e a mais perfeita performance frente a uma sociedade de contempladores. Dessa forma, a esterotipação da imagem veiculada por artistas e inlfuenciadores digitais, contribui para o agravamento dessa problemática.
Ademais, é fulcral acentuar que o excesso de vaidade submete o ser humano a procedimentos estéticos invasivos, por vezes, de altos riscos. De acordo com Zygmunt Bauman, os valores sociais na contemporaneidade estão sendo colonizados pela lógica de consumo, a qual acaba por fragilizar o senso de estabilidade das coisas, como a própria aparência física. Assim, a vaidade sem controle reflete a contumaz necessidade de mudar a imagem, tudo em busca da aparência perfeita.
Portanto, é indispensável intervir na banalização da cirurgia plástica. Com base nisso, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em parceria com escolas e imprensa, deve informar sobre os riscos de se consumir tudo o que é difundido pelas redes sociais, isso pode ser realizado por meio de debates e reportagens que levem ao autoconhecimento e formem opinião sólida, antes da decisão em passar por um procedimento invasivo. Essa forma de intervenção irá prevenir a vulgarização da cirurgia, evitando que pessoas tomem decisões não conscientes.