A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 02/09/2021

Em “O Auto da Barca do Inferno”,Gil Vicente,o pai do teatro português,tece uma crítica aos comportamentos viciosos da sociedade do século XVI.Fora da ficção,o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere a realização de cirurgias plásticas que tem se tornado cada vez mais comum no cenário social.Com isso,fatores como o consumismo digital e a não exposição midiática corroboram com a perpetuação do problema.

É relevante apontar de início que o problema advém do excesso de consumo de informações no qual os indivíduos contemporâneos estão expostos.Segundo o filósofo José Ortega,o homem-massa é aquele que não passa de alguém que sofre ifluências externas,sendo que essas influências determinam o seu comportamento.Nessa perspectiva,pode-se observar que o homem moderno,por causa da tecnologia, é bombardeado por informações, principalmente em redes sociais, sendo exposto a padrões de beleza que é reforçado por muitas celebridades e influênciadores digitais.Dessa forma,tal exposição funciona como forte contribuinte para que os indivíduos reproduzam esses esteriótipos considerados belos,procurando muitas vezes por cirurgias plásticas e por conta disso,tais procedimentos ficam cada vez mais habituais e banalizados na sociedade.

Outrossim,a falta de exposição sobre os pontos negativos de se banalizar cirurgias estéticas intensificam a problemática.Comforme Pierre Bourdieu,o que foi criado para ser uma ferramenta democrática não deve ser usada como forma de opressão.Nesse sentido,é notótio que os veículos de informação não colocam em pauta os riscos para o corpo e a saúde devido a uma intervenção estética mal sucedida.Consequentemente,situações como complicações geradas após uma intervenção plástica que não deu certo,não são corriqueiramente abordados e ,assim,ao invés da mídia servir como instrumento de fornecimento de informação e exposição do impasse,age silenciando e ajudando na consolidação do problema.

Portanto,em vista das problemáticas discutidas,medidas são necessárias para reverter esse quadro.Para que isso ocorra,o governo pode elaborar campanhas,que serão divulgadas nas redes socias,sobre a importância de tomar cuidado com esteriotipos reproduzidos pelas sociedade,abordando o impacto desses padrões no aumento pela procura por cirurgias estéticas.Por último,as mídias podem,atarvés de suas plataformas de comunicação e canais,fazer reportagens sobre os riscos de procedimentos voltados para a beleza com a finalidade de expor esse problema, para que, assim, possa existir uma concientização e exposição da problemática.