A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 06/08/2021

“A perfeição é a doença da nação. A beleza machuca". A frase da cantora Beyoncé, presente na música “Pretty Hurts”, ilustra uma triste ocorrência do mundo contemporâneo, no qual, devido à idealização de um corpo “perfeito”, uma necessidade incessante por tal beleza é criada, e procedimentos estéticos cirúrgicos são banalizados. A fim de mitigar essa mazela, é preciso analisar essas questões e suas implicações.

Em primeiro lugar, é necessário colocar a imposição de um padrão de beleza como forte razão para a problemática. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, o comportamento dos indivíduos de uma sociedade é coercitivamente moldado pelo fato social - maneira coletiva de agir, pensar e sentir. Seguindo essa linha de raciocínio, a imagem inalcançável daquilo que é belo, ao ser impulsionada pela mídia, por influenciadores e pelo imaginário coletivo, corrobora para uma tóxica busca por esse modelo. Evidenciam-se, então, os malefícios de se enaltecer um único tipo de corpo.

Por consequência, observa-se o crescimento da adesão a medidas drásticas para alcançar tal objetivo. Acerca disso, sabe-se que, visando alcançar o padrão em questão da maneira mais fácil possível, caminhos como cirurgias plásticas são procurados, e, dado os resultados, vistos como tranquilos ou até necessários. Com isso, tais intervenções não são vistas com a devida seriedade, e, como efeito, a saúde dos envolvidos é preterida. Assim, lástimas como a morte da influenciadora Liliane Amorim, em função de uma uma cirurgia plástica na barriga que perfurou seu intestino, tendem a acontecer. Desse modo, torna-se crucial um melhor tratamento no tocante a esse ponto.

Portanto, para erradicar a trivialização de procedimentos estéticos, os elementos midiáticos, responsáveis por parte majoritária da veiculação de informações na sociedade, devem rever urgentemente os modelos que propagam. Isso deve ser feito por meio de políticas que propiciem a inclusão de corpos fora do padrão em lugares de influência, como novelas ou propagandas, de modo a torná-los referências do que é bonito, incentivar a aceitação e fortalecer um discurso que enaltece todos. Assim, os versos cantados por Beyoncé podem se tornar uma inverdade.