A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 15/09/2021
De acordo com o conceito de “Sociedade do espetáculo”, do escritor francês Guy Debord, o mundo moderno caracteriza-se por uma realidade construída a partir do enaltecimento exacerbado da imagem pessoal. Sob esse viés, quando se é vislumbrada a atmosfera das cirurgias plásticas no Brasil, o quadro mostra-se preocupante. Com isso, dois elementos são cruciais para serem revistos: a banalização dos processos estéticos no país e a forte presença das mídias como propulsores dessa problemática.
Em primeira análise, é válido pontuar que as cirurgias plásticas se tornaram cada vez mais comuns no corpo social hodierno, criando, assim, fortes pressões estéticas, em especial, sobre o sexo feminino. Conforme o filósofo Michel Foucault, a sociedade contemporânea atua como agente de normalização, exigindo de todos um comportamento que se adeque aos padrões impostos coletivamente. Desse modo, em consonância com as ideias do autor, o culto ao corpo perfeito, naturalizado na comunidade, favorece a criação de uma perspectiva limitada e alienante. Nesse sentido, o excesso de preocupação com os aspectos físicos, gera, como consequência, a demasiada banalização dos procedimentos plásticos no território tupiniquim.
Ademais, cabe destacar o papel da mídia no processo de construção comportamental dos indivíduos, já que essa ferramenta se encontra altamente difundida na sociedade moderna, possuindo, de forma significativa, um grande poder de influência. Nesse contexto, segundo o sociólogo da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno, a indústria cultural é um importante mecanismo de dominação utilizado pela classe alta para moldar os consumidores em conformidade com os interesses capitalistas. A partir dessa ótica, a exaltação à aparência é perpetuada nas redes sociais como uma maneira das marcas e das empresas de gerarem lucro. Em vista disso, é difundido na sociedade a necessidade de alcançar a beleza padrão através, por exemplo, de cirurgias estéticas.
Verifica-se, portanto, a imprescindibilidade de medidas capazes de reverterem esse alarmante cenário do país. Para tanto, urge que o Ministério da Educação torne obrigatório, por intermédio de palestras com profissionais da área, na grade curricular das instituições de ensino brasileiro, debates acerca das sequelas que um processo estético pode ocasionar e da importância da autoaceitação, que visem à diminuir as taxas desses procedimentos na nação brasileira. Outrossim, faz-se preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com as mídias, realize propagandas que discutam o tema em âmbito nacional e sejam divulgadas em aplicativos, como Instagram, no intuito de abranger um grande público e, assim, promover a conscientização em massa a respeito da temática. Destarte, será possível desconstruir a supervalorização à imagem discutida por Guy Debord.