A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 11/08/2021

“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. O verso de Vinícius de Moraes sintetiza o pensamento hemogênio vigente há séculos. A Contemporaneidade trouxe inovações, dentre elas o fortalecimento de padrões estéticos adotados, majoritariamente, pela classe alta. Para atingir o tão almejado corpo são necessárias, em muitos casos, cirurgias plásticas. Contudo, os pacientes, geralmente mulheres, que recorrem a esses procedimentos não sabem dos riscos por trás deles. Portanto, torna-se pertinente o debate sobre a banalização das cirurgias plásticas.

A priori, é válido ressaltar que o padrão de beleza sempre foi imposto pela nobreza. É possível perceber isso na arte de cada século, nas pinturas renascentistas, por exemplo,as mulheres são gordas, pois isso simbolizava a riqueza. Porém, os anos passaram e o padrão foi alterado, induzindo todos, mas com uma pressão maior sob as mulheres. Então, para atingir o rosto e o corpo desejados são necessárias, muitas vezes, cirurgias plásticas, como rinoplastia, mamoplastia etc. Esses procedimentos são caros, mas ainda assim, são muito realizados. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgias Plásticas Estéticas, o Brasil lidera o ranking mundial dessas cirurgias, sendo efetuadas mais de um milhão por ano. Contudo, o mais alarmante é que de todas essas cirurgias, 847 mil foram feitas em mulheres. Dessa forma, fica evidente que existe uma pressão estética muito maior sob elas.

Outrossim, a música “Mrs. Potato Head”, de Melanie Martinez, retrata as motivações que levam as mulheres a se submeterem a essas cirurgias. No trecho  “Não seja dramática, são só algumas plásticas, ninguém vai amá-la se não for atraente”, isso fica nítido.  Além disso, a cantora enfatiza o fato de que muitas mulheres são sabem dos riscos por trás dessas intervenções.  A tese da dela foi comprovada pelo caso da modelo, Liliane Amorim. Segundo o jornal O Globo, Liliane teve seu intestino perfurado durante a cirurgia de lipo lad e, infelizmente, faleceu por conta de complicações que se agravaram em sua recuperação.  Assim, ela foi mais uma vítima do fatal padrão de beleza.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. O Estado, em parceria com a mídia, deve realizar campanhas publicitarias,  por meio das redes socias, sobre a representativadade de corpos reais. Assim, seriam mostrados, de forma sutil , todos os tipos corporais, como gordo, magro etc. Dessarte, as mulheres reconhecerão que esses são corpos normais e, há a grande possibilidade, delas pararem de se  comparar com famosas fizeram essas intervenções. Ademais, seria interessante se o Ministério da Saúde realizasse, em parceria com as universidades federais de medicina, uma reportagem sobre os riscos e malefícios das cirugias plásticas, e essa seria divulgada na TV aberta. Desse modo, todos que se submeterem à elas, estariam 100% consciente das suas consequências.