A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 10/08/2021

Em 2019, a marca de roupas “Victoria’s Secret” cancelou um de seus maiores desfiles por causa de protestos contra a instituição, com alegações que o diretor empresa era gordofóbico. Analogamente, a pressão estética do mundo da moda e da mídia em corpos magros e belos é um assunto recorrente na contemporaneidade, em que fomenta um padrão de beleza somente atingível por meio de diversos procedimentos estéticos perigosos. Outrossim, as cirurgias plásticas estão virando moda, “Lipo LAD”, “bichectomia” e até “harmonização facial” são procedimentos realizados pelos influenciadores e evidenciados em suas redes sociais, ocasionando uma romantização desses procedimentos.

Em primeira análise, o padrão estético do mundo da moda e da mídia é algo inalcançável até por meio de cirurgias plásticas, essas influências fomentam uma necessidade na psique humana de possuir um corpo perfeito, além da obrigação de estar dentro do padrão de beleza para ser amado e venerado. Isso é consoante com a música “Mrs. Potato Head”, da americana Melanie Martinez, que faz uma crítica a sociedade da beleza e aos padrões estéticos, na canção se profere: “são só algumas plásticas e ninguém vai te amar se você não for perfeito”. Em outras palavras, ocorre uma alienação da sociedade, em que a cirurgia plástica é dada como pré requisito para ser amado, além da perfeição estética se tornar sinônimo de felicidade, gerando uma dismorfia corporal em muitos cidadãos.

Sob um segundo olhar, procedimentos como a bichectomia, lipo LAD e harmonização facial estão se tornando cada vez mais comuns entre as celebridades, que sugestionam tais intervenções para seus seguidores, tratando uma mudança estética radical como um mero produto que deve ser comercializado e recomendado. Ademais, deve-se ressaltar que muitos médicos não sabem os resultados desses procedimentos a longo prazo, colocando em risco a saúde do paciente e realizando procedimentos inconstantes. Dessa forma, pode-se citar o caso de Jéssica Frozza, que recentemente usou as redes sociais para evidenciar as adversidades estéticas que sua bichectomia lhe causou.

Por tal prerrogativa, é de incubência do Ministério das Comunicações realizar a fiscalização das propagandas estéticas que são veiculadas nos meios de comunicação, além de influenciar as empresas a saírem do padrão e mostrarem corpos e rostos reais, sendo efetuado por meio de palestras nas empresas nacionais com especialistas e com a finalidade de incitar a propagação de ideais mais saudáveis e condizentes com a realidade. Além disso, o Ministério da Saúde deve solicitar acompanhamento psicológico para os indivíduos que desejam fazer um procedimento estético, para que o cidadão possa ser avaliado pelo profissional e ser considerado apto ou não para realizar uma mudança radical em seu corpo, com o objetivo de evitar dismorfias e consequências estéticas.