A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 12/08/2021

Gregório de Matos, em seu poema ‘‘soneto à D. Ângela de Sousa Paredes’’, deixa evidente, por meio da descrição idealizada da moça, que os padrões de beleza sempre tiveram muita importância. No entanto, na sociedade contemporânea, a busca por esse padrão se tornou muito preocupante, visto que, diariamente, as pessoas arriscam suas vidas em procedimentos cirúrgicos visando alcançar esse padrão. Nesse sentido, é plausível afirmar que houve, por conta de pressões sociais, principalmente com o advento da internet, uma banalização das cirurgias plásticas.

De início, é importante destacar a sociedade está constantemente impondo padrões estéticos. Segundo Durkheim -o pai da sociologia-, o corpo social, por meio dos fatos sociais, tem o poder da coercitividade, isto é, os indivíduos, a partir do momento que nascem, são obrigados a seguir os valores da sociedade, inclusive os estéticos. Apesar disso, o padrão estético imposto, por ser racista, elitista, transfóbico, gordofóbico e até mesmo capacitista, não é acessível para grande parte das pessoas, fazendo com que alguns indivíduos busquem alternativas cirurgicas para serem aceitos socialmente.

Ademais, é válido salientar que, com as redes sociais, esse problema se intensificou ainda mais. Nesse contexto, enquanto os filtros e o photoshop criam pessoas irreais, o algoritmo faz com que elas tenham muita relevância. Sob essa ótica, os jovens, que passam cada vez mais tempo nas redes sociais, acabam se comparando com essas figuras idealizadas e se frustrando, isso impulsiona intervenções estéticas por meio da medicina . A consequência disso é que, de acordo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, o Brasil se tornou, em 2018, o país que mais faz cirurgias estéticas no mundo.

Em virtude dos fatos mencionados, são necessárias medidas para mitigar essa problemática. Dessa forma, para que as cirurgias plásticas deixem de ser banalizadas, é fundamental que o Ministério da Educação insira, por meio de uma reorganização do calendário anual das escolas, uma aula semestral sobre padrões estéticos. Durante essas aulas -que serão ministradas por professores de sociologia, filosofia e biologia para todo o ensino médio- deverá ser explicado que o padrão de beleza é algo institucionalizado pela sociedade, porém o ‘‘belo’’ não possui uma definição concreta e, por isso, é preciso respeitar todas as diferenças estéticas. Além disso, o Ministério da Saúde deve propagar campanhas nas redes sociais não só sobre os riscos das cirurgias plásticas, como também sobre a importância de valorizar a suas individualidades.