A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 12/08/2021
Desde a Antiguidade Clássica, sabe-se que o senso de responsabilidade coletiva é uma virtude indispensável à vida em comunidade, uma vez que proporciona harmonia ao convívio social. Nesse sentido, a conduta humana necessita ser orientada eticamente pela busca do bem comum. Tal perspectiva, entretanto, não tem se aplicado à sociedade brasileira contemporânea, como revela a banalização das cirurgias plásticas. Assim, um olhar mais crítico para essa realidade demonstra que a pressão da sociedade pela busca do corpo perfeito e a influência da Internet na parte estética contribuem para essa banalização, o que fere o exercício da cidadania plena.
Desse modo, percebe-se que, atualmente, muitas pessoas se submetem a cirurgias plásticas desnecessárias e muito agressivas, como a chamada “lipo LAD” (Lipoaspiração de Alta Definição), a qual promete uma barriga definida. Isso se deve, principalmente, pelo padrão do corpo perfeito imposto pela sociedade, a qual faz com que inúmeros cidadãos, especialmente as mulheres (segundo pesquisas da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética), gastem muito dinheiro - e até mesmo coloquem suas vidas em risco - em cirurgias das quais não necessitam. Além disso, outro fator contribuinte é a Internet, a qual, com as “influenciadoras digitais”, mostra um corpo perfeito, o que faz com que muitas pessoas sejam influenciadas a fazerem cirurgias plásticas na intenção de ter um corpo parecido com o delas. Dessa maneira, tais aplicações, na realidade brasileira, fogem dos preceitos concebidos pelo filósofo clássico Aristóteles, o qual dissertava que o bem comum deve ser o alvo de todas as ações de indivíduos ou instituições, conforme retratava em sua obra “Ética a Nicômaco”.
Nesse contexto, ocorrem consequências negativas no âmbito social, como a banalização das cirurgias plásticas, visto que se tornou uma prática comum e normal, principalmente entre as “blogueiras”. Outrossim, podem ocorrer problemas graves durante o procedimento, o que pode acarretar na morte do paciente, como é o caso de uma influenciadora digital de 26 anos, a qual morreu após uma complicação da “lipo LAD”. De modo mais amplo, tais perspectivas rompem com o senso de bem comum aristotélico.
Portanto, diante dessa análise, fica claro que há necessidade de mudança. Para tanto, análogo à màxima do grego Aristóteles, o uso da ética leva ao êxito social. Nesse viés, Médicos e Psicólogos devem trabalhar em conjunto, usando as escolas para palestrarem, com o intuito de ensinarem e mostrarem aos alunos, desde cedo, os riscos de uma cirurgia plástica, principalmente quando a mesma é feita por pura pressão estética, a fim de que eles não se submetam a cirurgias desnecessárias. Assim, o propósito é sempre engajar todos em uma cultura de paz e de harmonia no âmbito comum.