A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 14/08/2021

O quadro renascentista “Vênus e o Tocador de Alaúde”, de Ticiano, exibe o padrão de beleza que marcou sua época. Contemporaneamente, as mídias sociais produzem, de maneira semelhante, um ideal estético que acarreta em distúrbios de imagem e gera o fenômeno da banalização das cirurgias plásticas. Certamente, a influência social de figuras públicas dá alicerce a problemática, podendo levar a serias complicações de saúde e até mesmo a morte.

Em primeira análise, é válido ressaltar que as redes sociais são usadas como uma grande vitrine para a exposição de corpos perfeitos. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em 2019, cerca de 60% dos procedimentos cirúrgicos realizados tinham fins puramente estéticos. Nesse sentido, reverbera-se a perspectiva de que influenciadores digitais aderem a cirurgias plásticas com a intensão de melhorar sua aparência física e ainda manipulam o comportamento social, banalizando os riscos oferecidos pelos procedimentos.

Consequentemente, há grande impacto na saúde dos indivíduos, aumentando os casos de distúrbios de imagem que levam as pessoas a se submeterem a procedimentos cirúrgicos desnecessários, podendo acarretar em complicações. À vista disso, tem-se o trabalho da dramaturgia brasileira ilustrando, por meio do filme “Linda de morrer”, o caso de uma cirurgiã plástica que morre após um tratamento extremo para acabar com as celulites. Assim, torna-se evidente que menosprezar os riscos dos procedimentos estéticos é um problema para o organismo social.

Portanto,  urge que a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica proíba a divulgação de procedimentos estéticos nas redes sociais, por meio do uso de inteligência artificial que filtre as publicações, reconhecendo palavras chaves, e tirando as mesmas o ar. Além disso, pode-se promover campanhas publicitárias com os mais diversos tipos de beleza, para ajudar na auto aceitação através do reconhecimento. Com essas medidas, pretende-se romper com o uso discriminado de cirurgias plásticas.