A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 22/08/2021

O mito da beleza, livro publicado em 1991 e de autoria de Naomi Wolf, traz a discussão acerca de como o culto à beleza e à juventude feminina é usada de forma proposital, na medida em que a insatisfação com o corpo é estimulada pela indústria da cirurgia plástica. Paralelamente, nos dias atuais, a não aceitação da aparência física continua a ser incentivada, principalmente nas redes sociais, e é potencializada pela popularização irresponsável de intervenções cirúrgicas. Logo, é urgente que a sociedade e os profissionais da saúde incentivem à autoaceitação dos pacientes, além de orientar sobre os riscos envolvidos em uma cirurgia.

Sob esse viés, em primeira análise, é notória a influência negativa do uso excessivo das redes sociais em relação à percepção humana sobre a própria aparência. Isso ocorre porque tornou-se banal acompanhar o cotidiano de pessoas famosas, que comumente compartilham dos padrões estéticos idealizados pela sociedade. Dessa forma, a exposição diária a corpos e rostos considerados perfeitos contribui para um desconforto desproporcional com a aparência física, podendo evoluir para um transtorno dismófico corporal, doença mental caracterizada pela obsessão com algum defeito no corpo. Essa insatisfação exagerada é incentivada em detrimento de uma aceitação sadia da própria imagem, haja vista impulsionar os lucros da indústria da plástica com procedimentos, muitas vezes, desnecessários, caso dos pacientes que querem ficar iguais às fotos com filtros de redes sociais.

Além disso, observa-se ainda que o aumento na procura por cirurgias é preocupante não apenas pela quantidade, mas pela qualidade do serviço oferecido. Nesse sentido, é necessário problematizar que a divulgação irresponsável de procedimentos de ordem estética favorece uma submissão às plásticas de forma trivial, sem a correta pesquisa do paciente sobre a capacitação do profissional envolvido, bem como sobre os riscos inerentes ao evento. Tal divulgação é, frequentemente, feita nas redes sociais e popularizada pelos influenciadores digitais, sem o devido cuidado de orientar sobre a importância de recorrer à clínicas seguras e especializadas.

Portanto, urge que as cirurgias plásticas sejam tratadas com seriedade e responsabilidade. Cabe ao profissionais de saúde, a exemplo dos cirurgiões e psicólogos, trabalharem juntos, por meio da prescrição de terapia antes da consulta com o médico e eventual decisão sobre cirurgia, a fim de evitar a realização de intervenções banais, relacionadas à falta de aceitação da imagem. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde orientar, por meio de publicidade com os influenciadores nas redes sociais, sobre as precauções que devem ser tomadas antes de realizar qualquer procedimento.