A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 12/08/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a banalização das cirurgias plásticas representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Dessa forma, torna-se necessário analisar os fatores favorecedores desse quadro, com ênfase na ausência de políticas públicas eficazes e na liquidez societal.
Convém ressaltar, a princípio, a ausência de medidas governamentais, no que tange o combate à banalização de procedimentos estéticos na sociedade brasileira. A exemplo disso, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil é o país com o maior número de procedimentos estéticos do mundo. Desse modo, o Estado, ao não educar a população a respeito dos riscos envolvidos nas intervenções clínicas para fins banais, facilita o aumento de complicações de ordem física e psicológica, como os danos em nervos faciais, as infecções e até mesmo a insatisfação constante com a própria imagem - fatores que impactam, de modo nocivo, o pleno desenvolvimento do coletivo. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do que ele denomina por “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre o seu dever de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que, infelizmente, é evidente no país.
Ademais, a liquidez societal é impulsionadora da banalização das cirurgias plásticas no Brasil. Nesse viés, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman postulou que a falta de solidez nas relações sociais facilita a manipulação do indivíduo. À luz desse pensamento, os influenciadores digitais, ao compartilharem os resultados de suas intervenções médicas nas redes sociais, graças ao patrocínio da indústria da cirurgia plástica, incentivam, com facilidade, uma adesão massiva às cirurgias, tornando-as, muitas vezes, “modinha”, pois os indivíduos que seguem as dicas postadas nessas redes, ao não buscarem consciência a respeito dos riscos dos procedimentos, visam apenas o fim estético. Logo, é inadmissível que essa realidade de alienação continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, que Executivo, por meio das redes sociais, propague, massivamente, materiais educativos que possam conscientizar a população brasileira a respeito dos riscos envolvidos nos procedimentos estéticos, a fim de proporcionar ciência geral a respeito dos malefícios existentes, que são, muitas vezes, mascarados pelos influenciadores digitais, o que deve reduzir, a longo prazo, a busca incessante pelo padrão estético. Desse modo, possibilita-se o progresso coletivo.