A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 15/08/2021

Na antiga Grécia, o culto ao corpo representava uma forma de supremacia em diversos aspectos da sociedade, como a guerra, as artes e os esportes. Na atualidade, similarmente, percebe-se o legado grego da supervalorização da aparência, manifestado, principalmente, pela desenfreada prática de cirurgias plásticas. Nesse sentido, é essencial entender os motivos e os possíveis prejuízos à saúde dos brasileiros devido a essas recorrentes manobras.

A princípio, dentre as causas desse problema, destaca-se a busca por aceitação social. Sobre isso, a ideia de “Instagram face”, da jornalista Jia Tolentino da revista “The new yorker”, explica como certas características físicas -como lábios grossos e narizes pequenos- são muito expostas nas redes sociais e frequentemente associadas a sucesso e beleza. Diante disso, desencadeia-se a procura por esses padrões, mediante operações estéticas, principalmente pelo público feminino, como forma de aceitação em sociedade e no mercado de trabalho.

Consequentemente, a adoção de exacerbadas intervenções na aparência pode prejudicar o bem-estar físico e psicológico das pessoas. Nesse viés, a história da modelo Andressa Urach exemplifica bem isso, pois, conforme o seu livro “Morri para viver”, diante de um procedimento estético motivado pela obsessão ao corpo “perfeito”, Andressa sofreu graves complicações, aproximando-se da morte. Ademais, a intensa preocupação com aparência pode originar transtornos psíquicos, como bulimia e anorexia. Dessa forma, fica clara a necessidade de medidas que visem atenuar os efeitos da trivialização das cirurgias plásticas no Brasil.

Portanto, urge que o Ministério da Saúde, por meio de palestras em universidades e propagandas nos meios de comunicação -como mídias socias e canais televisivos abertos-, promova discussões acerca das causas e efeitos da frequente banalização das manobras estéticas. Essa ação findaria desconstruir padrões de beleza inalcançáveis e incitar o pensamento crítico dos cidadãos quanto às suas escolhas por esses procedimentos. Também contaria a participação de profissionais, como psicólogos e psicanalistas.