A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 14/08/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com enfâse na prática quando se observa a banalização de cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz- se imperiosa a análise dos fatores que favorem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve- se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater gradativamente os impactos aos possíveis riscos, ao submeter em procedimentos estéticos. Nesse sentido, o Instagram tem feito parte de grande influência ao aumento da procura de cirurgias plásticas, pelo fato das “digitais influencers” pregarem a ideia do corpo perfeito. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura- se como violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a pressão estética como impulsionador da perigosa banalização das cirurgias plásticas no Brasil. Sociedade do espetáculo - livro, retrata pessoas que vivem em constante performance ao longo da vida e exige perfeição de si mesma por conta disso. Dessa forma, a banalização das cirurgias plásticas tem afetado a população de forma negativa, além de interferir na autoaceitação pessoal. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Diantes aos fatos supracitados, medidas são necessárias para resolver a problemática apresentada. Para isso é imprescíndivel que o Ministério da Saúde, por meio de Projetos de leis, apresentado na câmara de deputados. Assim dificultando o acesso a cirugias plásticas, só poderá ter acesso pessoas que consultarem com médicos selecionados. Dessa forma, espera-se com essa medida possa ser freada a banalização de cirurgias plásticas na sociedade contemporânea. Assim se consolidará uma sociedade mais humana, onde o Estado desempenha corretamente o seu “contrato social” tal como afirma John Locke.