A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 18/08/2021

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. Essas foram as palavras grafadas na obra “Ensaio sobre a cegueira”, sobre a autoria do escritor José Saramago. A história retrata a volatilidade das questões éticas e morais de uma sociedade exposta ao caos e ao alinhamento. Sem desconsiderar o caráter distópico da obra, é nítido que a desinformação é socialmente degradante e, enquanto a “cegueira branca” foi causa de tanta bárbara na ficção, a banalização das cirurgias plásticas tem sido um gatilho para o enfraquecimento da população brasileira. Nesse contexto, é notório que a má influência midiática, atrelada à falta de senso crítico e da educação emocional, são fatores motivantes para tal problemática.

Primordialmente, vale ressaltar que a mídia tem grande poder nas decisões pessoais e coletivas da população. Neste viés, o filósofo francês Pierre Bordieri em seu livro “O Poder simbólico”, define o mecanismo democráticos, tais como a mídia, não devem se tornar instrumento de opressão, uma vez que foram feitas para garantir a harmonização social. Nesse sentido, compreende-se que, ao implementar um falso ideal de beleza nas mentes dos brasileiros, a mídia, por suas diversas vias, estabelece a busca por um padrão estético irreal à grande parcela da sociedade, o que leva que leva-se aos altos índices de cirurgias plástica animais e a banalização das cirurgias plásticas.

Nota-se, outrossim, que para sofrer tal influência midiática, a população brasileira carrega uma lacuna educacional direcionada à construção do senso crítico e emocional. Desse modo, consoante as palavras do educador Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Dessa maneira, é notória a necessidade do desenvolvimento socioemocional desde a infância, visto que reconhecer as diferentes belezas de um país miscigenado, como o Brasil, e entender os fatores prejudiciais da trivialização das cirurgias plásticas como forma de padronizar a estética são essenciais para a formação de uma sociedade mais saudável físico e mentalmente. Assim, é fundamental a intervenção socioestatal para solucionar as questões em debate.

Portanto, é mister a atuação do governo para combatê-lo. Diante disso, o Ministério da Comunicação deve reverter a padronização estética criada pela mídia, por meio da divulgação de vídeos em redes sociais, com o auxílio de influenciadores digitais. Para tal, os vídeos devem contar a presença de cidades que já passaram por problemas com as cirurgias plásticas, como a youtuber Evely Regey, que depois de passar por um procedimento acabou passando por complicações. Além disso, é necessário que aconteçam aulas nas escolas sobre educação crítica. Mediante a ações concretas, a cegueira Branca ficará apenas na literatura.