A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 18/08/2021

O filósofo Raimundo de Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a Bandeira Nacional Brasileira, mas também para o país que, atualmente, enfrenta inúmeros empecilhos para o seu desenvolvimento com a banalização das cirurgias plásticas na sociedade. Esse panorama ainda vigente é atestado em consequência de uma grande influência midiática agregada de uma vasta omissão familiar e escolar.

Sob esse viés, cabe ressaltar que pesquisas feitas pela Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas (SBCP), em 2018, apontou que a faixa etária dos cidadãos entre 19 e 64 anos que optaram por tais cirurgias foram de 86,9% do total das realizadas em determinado ano, isso corrobora que a busca pela perfeição influenciada através das mídias vem refletindo diretamente sobre a população contemporânea. Nessa perspectiva, pode-se afirmar que nas redes sociais a visão do “belo e adimiravél” sofreram mudanças e o empenho incessante pelo corpo magro, com seios e glúteos avantajados (para as mulheres) e músculos bem definidos (para homens) se tornaram o principal precursor da autoestima dos indivíduos, fator que resultou em uma maior procura por cirurgias plásticas.

Outro ponto que merece ser salientado é a questão de uma vasta omissão familiar e escolar, isso porque segundo o sociólogo Émile Durkheim “são nessas duas instituições que se fundamentam as opiniões e plena formação de uma pessoa”. Dessa forma, havendo uma banalização de conversas a respeito de possíveis danos causados à saúde do paciente a partir da realização de tais operações estéticas como também, na mediocriação da “quebra dos tabus” esteriotipados impostos pela sociedade há muitos séculos atrás, os sujeitos ignoram tal problemática e seguem sem notar a objetificação de sua própria autonomia.

Portanto, é de indubitável importância que a mídia mundial, numa ação conjunta com as personalidades influentes se oponham contra a padronização de corpos, através de campanhas, postagens sobre a necessidade de se satisfazer com sua própria constituição física, noticiários e palestras acerca do assunto e seus decorrentes malefícios, visando inspirar homens e mulheres a seguirem seus passos e interromperem seus obssessivos esforços pela “estatura corpórea perfeita”. Bem como, cabe aos familiares e professores interromperem a progressão desses ideais da sociedade atual e ensinar mediante a conversas, aulas e exemplos a necessidade de contemplar-se com uma autoestima natural e saudável, tencionando a desconstrução dos tabus estéticos contemporâneos perante os cidadãos desde pequenos, a fim de que tais perspectivas não sejam transmitidas adiante.