A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 16/08/2021
O romance filosófico “Utopia”, criado pelo escritor inglês Thomas Morus, no século XVI, retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e obstáculos. Sob esse viés, a realidade contemporânea mostra-se muito distante da apresentada pela obra fictícia, uma vez que a sociedade enfrenta a banalização das cirurgias plásticas. Dessa forma, é notório a existência de um empecilho a ser superado, uma vez que esse atua deturpando a harmonia coletiva. Logo, é mister assentir que a consolidação de padrões de beleza, adjunto a influência da Indústria Cultural nas ações humanas, são as causas para cristalização do revés.
Em primeira instância, é fulcral anuir que os padrões de beleza disseminados e enraizados no meio social são os fatores que perpetuam a vulgarização das cirurgias plásticas na sociedade hodierna. Nesse contexto, é explícito que os indivíduos para atenderem a essa exigência popular, utilizam de diversos procedimentos estéticos cirúrgicos, os quais, geralmente, são muito arriscados. Ademais, em um episódio da série de drama médico “Greys Anatomy”, uma mulher se submete a uma cirurgia plástica por pressão do seu namorado, na realização dessa, ocorre alguns problemas, os quais acarretam em seu óbito. Logo, compreende-se que esse aumento em cirurgias estéticas se tornou vulgar, haja vista que, antes eram usadas apenas quando realmente era necessário, no entanto, hodiernamente se tornou uma prática comum entre as pessoas, mesmo apresentando diversos riscos.
Em segunda análise, urge admitir que o panorâma atual, no qual as cirurgias estéticas estão banalizadas e as pessoas as utilizam de maneira errônea, arriscando suas vidas desnecessáriamente, é fruto da influência da Indústria Cultural ( Sistema econômico e político que visa o lucro ) sobre os comportamentos desses indivíduos, tendo em vista que ela, segundo a concepção dos filósofos Adorno e Horkheimer, atua padronizando os gostos e interesses da população, manipulando essa para consumirem seus produtos, ignorando as consequências das suas ações em sua vida. Portanto, é flagrante a necessidade de se combater tal revés, a fim de extinguir do corpo social a prática descabida de procedimentos estéticos, assim preservando a ordem coletiva.
Destarte, para atingir o cenário perfeito e idealizado, retratato na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas Morus, far-se-à que o Governo, enquanto instância máxima da administração executiva, promova campanhas conscientizadoras, as quais atuem fazendo as pessoas rejeitarem os padrões de beleza, além de desenvolver nelas, um pensamento autônomo para evitar que sejam controladas pela Indústria Cultural, mediante o uso dos principais interlocutores de informações. Desse modo, erradicando a banalização das cirurgias plásticas fúteis, que podem prejudicar a saúde das pessoas.