A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 17/08/2021

Em 2018, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética divulgou uma pesquisa que indicava que 71% dos procedimentos estéticos foram realizados em pessoas com idade entre 19 e 50 anos, enquanto, a partir dos 51, a taxa era de 16%. Ao analisar tais dados, evidencia-se o aumento da procura por tratamentos na população mais jovem, fazendo-se necessária a reflexão acerca da banalização das cirurgias plásticas no hodierno.

A principio, deve ser entendido que o culto à perfeição é o principal agente na busca por intervenção estética. De acordo com o filósofo Jacques Derrida, os preceitos são moldados por discursos normatizadores propagados ao longo do tempo em diversas esferas. Nessa lógica, é possível entender a existência de um padrão de beleza inalcançável que é idealizado em detrimento da diversidade de corpos.  Assim, buscando aceitação interna e externa, alguns indivíduos submetem-se a intervenções estéticas que, muitas vezes, são invasivos como o exemplo da subcelebridade Liliane Amorim que faleceu após complicações de uma lipoaspiração.

Ademais, como agravante, os discursos se intensificaram com o avanço da tecnologia por meio das redes sociais e seus usuários “influencers”. Atualmente, visando lucro, clínicas estéticas realizam parcerias com influenciadores digitais que divulgam as cirurgias as romantizando sem demonstrar os malefícios à saúde, chegando ao cidadão comum que são uma alternativa rápida, fácil e sem contra-indicações.

Portanto, conclui-se que a banalização das cirurgias ocorrem devido ao intenso estímulo cultural que aumentou com o progresso digital. Logo, é essencial que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deverá propor uma lei que seja aprovada pela câmara dos deputados, criminalizando a apologia às cirurgias estéticas, com penalidade de cadeia de 6 meses a 2 anos. A medida visa diminuir o bombardemeanto de discursos banalizadores, protegendo a integridade física e mental do povo.