A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 16/08/2021
“Apesar de ser apaixonada por fotos, tenho mais de um ano sem postar foto no “Instagram”.Estou me sentindo muito feia e gorda. Acho que o jeito é começar uma dieta ou até mesmo fazer uma lipoaspiração.” Essa narrativa fictícia embora verossímil relata o dilema que é encaixar-se no padrão social da contemporaneidade e a coercitividade existente nesse desafio, o qual colabora para o aumento dos casos de cirurgias plásticas. Cabe-se, então, alcançar medidas efetivas de combate a essa patológica realidade superficial da atualidade.
Diante desse cenário, de acordo com o filósofo Guy Debord, na obra “A sociedade do espetáculo”, o homem é mediado por imagens, sendo que abdicam de parte da vida real e passam a viver no mundo das aparências. Em vista disso, é indiscutível a busca incessante de um modelo ideal criado pela sociedade e, na maioria das vezes, impossível de ser alcançado. Apesar disso, a realização de cirurgias plásticas tem aumentado de maneira assustadora e o pós-operatório mostrando o corpo perfeito é retratado como exemplo de superação contribuindo para uma espetacularização e uma relação totalmente equivocada da proporção estética e saúde. Dessa forma, compreende-se a necessidade de promover o rompimento dessa prática a fim de se alcançar o bem estar e a vitalidade.
Além disso, o exemplo de beleza e dos padrões se transformou ao longo dos séculos, entretanto, a busca pelo corpo perfeito de forma impositiva sempre foi uma prática que causa um mal-estar social trazendo graves consequências psicológicas, exemplificando a violência simbólica. Nesse viés, esse conceito do sociólogo Pierre Bourdieu se dá como uma forma de agressão sem coerção física, a partir de símbolos, podendo causar preocupantes danos àquele que a sofre. Sendo assim, tal conjuntura quando não ocorre os procedimentos estéticos por razões financeiras, se manifesta de outras formas como os quadros frequentes na sociedade de transtornos alimentares – como bulimia e anorexia-, visto que esses distúrbios são consequências da violência por não se encaixarem no padrão estético.
Torna-se evidente, portanto, a desconstrução da sociedade da necessidade opressiva de busca pelo corpo perfeito. Para tal, o Ministério da Saúde deve elaborar campanhas midiáticas voltadas especialmente ao público jovem, que é o grupo mais vulnerável, utilizando pessoas que tenham hábitos de vida saudáveis por meio de veículos (redes sociais, novelas) – os quais são eficientes meios de informação e propagação para atingir esse público – para alertar sobre o aumento dos distúrbios de autoimagem, da banalização de procedimentos estéticos e dos transtornos alimentares com a finalidade de informar sobre o quão patológica é a relação de saúde com o padrão de beleza. Assim, a população estará mais engajada no bem estar da vida real e não no mundo das aparências.