A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 17/08/2021

Na obra distópica Fahrenheit 450, a sociedade é proibida de ler e desenvolver senso crítico, consumindo altas quantias de ansiolíticos. De forma análoga, muitos brasileiros estão consumindo cirurgias plásticas de maneira banal em face de uma escassa criticidade. Nesse sentido, a falta de discussão na sociedade e a proposital promoção de insatisfação pelo lucro, são causas preocupantes dessa problemática. Posto isso, é ímpar a mitigação desse quadro em nome de uma população saudável e crítica.

A princípio, vale ressaltar a perpetuação de incômodos pessoais com o fito lucrativo como notório motor da banalização de cirurgias estéticas no Brasil. Nesse viés, os sociólogos Adorno e Horkheimer em sua teoria da indústria cultural, abordam que essa se utiliza de padrões repetitivos com o propósito de formar uma estética voltada ao consumo e alienação. De fato, essa teoria é cristalina no crescimento de cirurgias estéticas, à medida que, é “criado” - nas mídias sociais brasileiras - padrões de beleza que repercutem as mesmas insatisfações pessoais, sobretudo para que o lucro seja alcançado. Posto isso, é imprescindível que essa alienação seja destituída e a racionalidade dos brasileiros prevaleça como virtude emancipadora.

Outrossim, é necessário pontuar a falta de debates e diálogos sobre a frequência de cirurgias plásticas como fundamento estagnante dessa chaga social. Dessa forma, o sociólogo Habermas em sua teoria do agir comunicativo afirma que as sociedades atuais estão estruturadas em condições precárias de comunicação, sendo o diálogo, a possibilidade de alcançar a qualidade de vida das pessoas. Decerto, a ideia habermasiana é visível no corpo social brasileiro, visto que muitas mulheres – mais pressionadas pela estética – acabam decidindo por fazer essas cirurgias sem nem debater com pessoas mais experientes, resultando no desconhecimento de todos os riscos que uma cirurgia pode acarretar e um equivalente e ilusório “incentivo”. Assim, é inegável como o escasso debate acerca da normalização dessas cirurgias são problemáticos.

Portanto, como principais causas da banalização de cirurgias plásticas no país, a falta de discussão e a proposital promoção de insatisfações precisam ser combatidas. Logo, cabe a Secretária especial da cultura, a criação de campanhas informativas por meio de propagandas – que informem como a alienação acerca da normalização de cirurgias plásticas pode ser prejudicial, com exemplos vividos de algumas blogueiras – nos principais canais televisivos para que assim essa chaga social seja extinta da nação brasileira.