A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 04/09/2021

A música “Pretty Hurts” - “beleza dói”, em português - da cantora Beyoncé, reflete sobre os padrões estéticos impostos e seus malefícios. Fora do universo musical, a realidade não se distancia do retratado na canção, visto que há a banalização de cirurgias plásticas na sociedade contemporânea para o alcance do corpo ideal. Essa problemática advém da mentalidade capitalista e é fomentada não só pela manipulação midiática, mas também pelo consumo exacerbado.

Em primeira análise, é mister pontuar que os meios de comunicação difundem diveros ideias, sobretudo acerca do corpo perfeito. Nesse sentido, é exigido um padrão de corpo com físico inatingível que traz consigo o conceito de defeitos. Isso acontece porque a mídia é utilizada como ferramenta de manutenção de um imaginário que objetifica o ser humano e, consequentemente, legitima os defeitos, uma vez que apenas coisas podem ser defeituosas. Por isso, consoante à Teoria da Reificação de Georg Lukács, no capitalismo, sujeito e objeto invertem seus papeis, o homem passa a ser tratado como um item qualquer e as intervenções cirúrgicas como a solução, do mesmo modo que a costura é para um boneco rasgado.

Além disso, uma das ferramentas utilizadas pelo capitalismo para instigar a síndrome do consumismo nas pessoas é a criação de necessidades. Desse modo, a Indústria se aproveita da ideia difundida pela mídia e vende, com naturalidade, procedimentos estéticos invasivos e nocivos como a saída para todos os problemas, o que cria um ideal em torno das cirurgias e impulsiona indivíduos a realizarem-na sem questionamentos. Assim, da mesma forma que mercadorias são adoradas para Karl Marx, desenvolve-se um fetichismo em torno dos procedimentos que são  comercializados como salvação.

Mediante o exposto, é nítido que o problema é grave e deve ser resolvido. Para isso, cabe ao poder midiático, por meio de campanhas, descontruir os padrões e apresentar a coexistência dos diversos modelos físicos de beleza, a fim de trazer representatividade à população e evitar a hegemonia de pensamento que banaliza as cirurgias plásticas. Dessa maneira, espera-se que a beleza não seja mais dolorosa.