A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 30/08/2021
Cirurgia plástica é uma intervenção cirúrgica com o intuito de modificar ou reparar alguma parte do corpo. Entretanto, a banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea é perigoso, uma vez que toda cirurgia possui riscos à saúde. À vista disso, faz-se necessário analisar a principal causa e consequência desse problema, respectivamente: a padronização corporal e distúrbios de autoimagem.
Nesse contexto, a estatueta de Vênus de Willendorf representa o padrão de beleza pré-histórico, no qual uma mulher com barriga e seios extremamente proeminentes é sinônimo de fertilidade. Nesse viés, atualmente, apresar da idealização do corpo perfeito ser completamente diferente, o padrão de beleza ainda existe e é viabilizado na sociedade por meio da mídia, de forma que adequar-se aos padrões impostos esteja relacionado com felicidade e bem-estar. Por conseguinte, haja vista a necessidade de se encaixar nos padrões, muitas pessoas, principalmente mulheres, recorrem à inúmeros procedimentos cirúrgicos. Dessa forma, torna-se claro que a banalização das cirurgias plásticas é fruto da pressão estética.
Além disso, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), entre 2010 e 2020, houve um aumento de 141% no número de procedimentos entre jovens. Logo, também evidencia-se o aumento da insatisfação corporal e a preocupação com a aparência, fator que, muitas vezes, está relacionado com baixa autoestima e dismorfia corporal. Isto posto, a constante busca para corrigir as ‘‘falhas’’ causada pela distorção de imagem, contribui para a banalização das cirurgias plásticas, visto que atingir o corpo ‘‘perfeito’’ é inalcançável para quem sofre desses transtornos. Portanto, é notório que o excesso de intervenções cirúrgias pode estar relacionado com problemas de autoimagem.
Sendo assim, diante dos fatos supracitados, urgem medidas para solucionar o problema. Nessa perspectiva, cabe ao Ministério da Saúde implementar o atendimento psicológico gratuito nas escolas e universidades, de forma que os jovens, mais afetados por transtornos de autoimagem, possam receber um tratamento e, por conseguinte, promover a autoaceitação sem recorrer à procedimentos estéticos. Outrossim, cabe ao Ministério das Comunicações desenvolver um projeto que vise incentivar e celebrar a diversidade de corpos na mídia, de forma que pessoas que não se encaixam no padrão imposto se sintam representadas. Destarte, as cirurgias plásticas deixarão de ser banalizadas no Brasil.