A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 25/08/2021

“Se você não nasceu com o que quis, pode comprar alguns pares de enfeites”. Essa música, Mrs. Potato Head, de Melanie Martinez, critica a intensa busca pela perfeição e a banalização das cirurgias plásticas. Nesse viés, os padrões de beleza impostos socialmente pressionam cada vez mais a utilização de cirurgias para a padronização dos corpos e adequação das pessoas dentro dos moldes da sociedade, excluindo aquelas que não seguem esses moldes. Além disso, as redes sociais e os influenciadores digitais contribuiram para a romantização dos procedimentos estéticos.

Nesse contexto, o livro “Feios”, de Scott Westerfeld, exemplifica como a sociedade impõe um padrão esteticamente aceito e a população busca se adequar a ele para ser incluída socialmente. Nessa distopia, os adolescentes ficam presos em alojamentos até completar 16 anos, quando recebem um tratamento do governo: uma operação plástica em que suas feições são corrigidas à perfeição, para depois se mudarem para a cidade dos perfeitos. Contudo, os que se recusam a fazer a cirurgia passam a viver como fugitivos.

Fora da ficção, as mídias digitais se tornaram veículos de disseminação dos padrões estéticos aceitos em determinado país, ocasionando o aumento da procura por cirurgias plásticas - cerca de 50% no início de 2021, no Brasil, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). Ademais, “influencers” como Lara Silva e Giovanna Chaves propagam a ideia de que essas cirurgias são simples, sem riscos e fáceis para alcançar a perfeição, corroboranddo com a música da Melanie Martinez.

Dessa forma, os administradores das redes sociais, como Instagram, devem lançar uma campanha “diga não aos padrões” - na qual corpos diversos são mostrados, para tentar diminuir a difusão da pressão estética e incluir todos os tipos de corpos - e proibir propagandas de cirurgiões plásticos e clínicas de estética. Outrossim, o Ministério da Saúde deve promover uma campanha de conscientização acerca das operações plásticas, por meio de propagandas em horários nobres, mostrando dados sobre o risco e os perigos relacionados a elas, a fim de expor a realidade e acabar com a romantização dessas operações. Assim, a música Mrs. Potato Head deixará de ser extremamente real e o livro de Scott Westerfeld será sempre apenas uma ficção.