A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea
Enviada em 24/08/2021
Na Grécia antiga o sinônimo de beleza era ter um corpo escultural. Para os homens, os músculos definidos, já as mulheres ter pele clara e corpo mais volumoso representava o belo. De modo análogo, hodiernamente, a sociedade busca a cada dia a perfeição corpórea e, para alcançar a realização pessoal, as intervenções cirúrgicas são aliadas nesse processo. No entanto, as cirurgias plásticas têm se tornado banais na sociedade atual e isso acarreta algumas consequências, como falhas nos procedimentos e adoecimento pelas pressões estéticas. Nesse contexto, asseguram-se a influência das mídias digitais e a inversão de valores como pilares da problemática.
De inicio, cabe mencionar a contribuição das redes socias e digitais “influencers” na banalização das cirurgias plásticas. Nessa linha de raciocínio, segundo a perspectiva filosófica de John Locke, em sua teoria da tábula rasa, o ser humano é como uma folha em branco, e sua vida é preenchida de acordo com as vivências que ele possui. Com base nisso, os influenciadores digitais têm um papel intrinsecamente ligado a induzir a insatisfação pessoal com o corpo, uma vez que ganham para divulgar os trabalhos de cirurgiões, mostram diariamente aos milhares de seguidores as cirurgias plásticas e procedimentos estéticos que realizam e isso acaba criando a ideologia de que existe um padrão ideal de corpo, cabelo, cor de pele. Logo, as pessoas por vivenciarem virtualmente, se sentem influídas a realizar procedimentos, para se enquadrarem em padrões e não se sentirem excluídas do meio social.
Outrossim, vale ressaltar que no mundo contemporâneo a aparência exterior tem mais valor que a interior, levando os indivíduos a gostar do outro pela aparência e não por suas qualidades que vêm do íntimo do ser. Nesse viés, é pertinente citar as ideias do escritor Antoine Saint - Exupéry, o qual assevera: “O essencial é invisível aos olhos. Só se ver bem com o coração”. Infere-se, assim, que atualmente os holofotes são voltados à beleza, a moda, aos padrões, as relações são escolhidas baseada no corpo, na configuração exterior do outro. Entretanto, de acordo com o autor citadino, os valores essenciais são os que vêm do coração e não apenas a beleza física que os olhos podem ver, sendo necessária a quebra de padrões de beleza e consequentemente, a banalização cirúrgica.
Diante do exposto, medidas são necessárias para mitigar a banalização de cirurgias plásticas na sociedade. Para isso, as mídias sociais, como Tv, internet, rádios e revistas deve realizar um projeto de emponderamento pessoal, abordando por meio de músicas, frases e fotos, a importância de se sentir bem com o próprio corpo, de não se basear em outrém. Tal ação terá o intuito de desconstruir os padrões impostos pela sociedade e fazer com que as pessoas gostem de seus corpos independentemente de opiniões alheias. Sendo assim, poder-se-á tornar a sociedade livre de moldes.