A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 24/08/2021

O escritor Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do caminho”, retrata, de modo figurado, os contratempos sofridos pelo ser humano em sua jornada. Analogamente, esse preceito assemelha-se as pessoas que sofrem com baixa autoestima por sua aparência física, visto que cada vez mais estão se submetendo a procedimentos arriscados e irreversíveis para alterar alguma característica do corpo, muitas vezes sem conhecer os riscos, já que, na “Internet”, essas cirurgias são banalizadas. Dessa maneira, fica evidente que esta problemática se desenvolve não só pelos habituais “stories” do Instagram, os quais mostram indivíduos satisfeitos com as suas cirurgias, mas também devido à pouca importância dada pela mídia para levar informação à população.

Em primeiro lugar, é preciso destacar a ausência de medidas governamentais para combater os perigos das informações presentes na “internet”. Sob a perspectiva do filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que o equilíbrio seja alcançado na sociedade, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, devido à baixa operação das autoridades, as influenciadoras compartilham sobre as cirurgias, citando inúmeros lados positivos, coagindo seu público a acreditar que os procedimentos são a solução para a baixa autoestima, mas sem informar sobre os riscos. Em suma, é necessária a reformulação estatal urgente.

Ademais, a irresponsabilidade dos sítios “web” e das blogueiras também pode ser apontada como promotora do problema, os quais, além de instalarem uma pressão estética sobre, principalmente, as mulheres, também normalizam essa situação, considerando que o público-alvo é feminino, essas informações são comprovadas, já que a maior parte dos sujeitos que se submetem as cirurgias plásticas são elas, segundo o ISAP e o SBCP. Desse modo, isso retarda a resolução do empecilho, já que não há fiscalização sobre isso, contribuindo para esse cenário caótico.

Portanto, é essencial a atuação estatal e social para que tais obstáculos sejam superados. Assim, o Tribunal de Contas da União deve direcionar capital, que, por intermédio do Ministério da Comunicação, será convertido em ações para garantir segurança nas redes, proibindo as “influencers” de divulgarem conteúdos de risco, sem informar sobre as consequências  Também é preciso investir em anúncios nos “sites”, que contenham o lado negativo desses procedimentos e campanhas que estimulem a autoestima e o amor-próprio, com corpos diferentes dos padrões. Dessa forma, tirando as pedras do meio do caminho, construir-se-á um Brasil seguro.