A banalização das cirurgias plásticas na sociedade contemporânea

Enviada em 25/08/2021

De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS), o Brasil é o país que realiza o maior número de cirurgias plásticas no mundo. Assim, é notório que há a banalização dos perigos em realizar esses procedimentos. Infelizmente, a mídia tem papel fundamental para a crescente busca por cirurgias plásticas, pois vende a ilusão de um corpo padrão, gerando insegurança e insatisfação do usuário com sua autoimagem.

Nesse contexto, é visível o poder de persuasão dos influenciadores digitais, que usam seus perfis na internet para difundir ideias, ganhar visibilidade e patrocinadores. Para isso, eles precisam vender a ideia de perfeição, recorrendo ao uso de photoshop e procedimentos estéticos. Lamentavelmente, tal prática gera insatisfação pessoal de muitos usuários, que ao se olharem no espenho, não conseguem se identificar com o padrão ilusório vendido na internet. Dessa forma, a procura por procedimentos estéticos cresce. Uma pesquisa realizada pela ISAPS constatou que nos últimos 10 anos, o número de cirurgias plásticas cresceu mais de 140% entre jovens brasileiros de 13 a 18 anos, estatística preocupante, que constata a necessidade de conscientização acerca do assunto.

Assim, a grande pressão por procedimentos estéticos causa a banalização de seus riscos, visto que grande parcela de adeptos pensa apenas no resultado, sem colocar em vista os perigos do procedimento. É importante relatar que muitos influenciadores digitais realizam cirurgias patrocinadas, ou seja, ganham esse procedimento e em troca fazem a divulgação do médico e da clínica. Erroneamente, eles não se aprofundam em aspectos importantes e desencorajadores como, riscos do procedimento, dores, recuperação complicada e outros fatores negativos. Assim, esse fato demonstra a comercialização de um padrão estético, que faz crescer o número de cirurgias plásticas na sociedade contemporânea.

Portanto, visto que as mídias sociais banalizam a imagem da cirurgia plástica, tornando-a muito comum na sociedade contemporânea, é preciso que o Ministério da Saúde promova a conscientização da população, por meio de campanhas publicitárias nas redes sociais, com a participação de influenciadores digitais que lutam contra a imposição de padrões de beleza, bem como a colaboração de profissionais da saúde, que expliquem todos os perigos desses procedimentos. Dessa forma, espera-se uma mudança de comportamento da população, que passe a compreender a complexidade e os perigos da realização de procedimentos estéticos, melhorando a qualidade de vida de todos.